16/07 - 15:14, atualizada às 15:59 16/07 - Redação
RIO DE JANEIRO – A polícia começa a ouvir nesta quarta-feira algumas testemunhas da perseguição policial que resultou na morte do administrador Luiz Carlos Soares da Costa, de 36 anos. Segundo o titular da 17ª DP (São Cristóvão), José Moraes Ferreira, os primeiros a serem ouvidos serão os funcionários de um posto de gasolina localizado próximo ao local do crime.
Na noite desta segunda-feira, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, fez comentários sobre o ocorrido após assistir às imagens feitas pelo SBT. As cenas registram o momento em que os PMs interceptaram o carro da vítima e como foi feito o atendimento.
| Reprodução |
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| Policial retira Luiz Carlos do carro baleado |
Em seguida, Beltrame lembrou que o dever do policial é o de salvar vidas. Segundo o secretário, o profissional não pode receber tiros ao tentar interceptar um carro. O que é repreensível é a conduta de policias que atiram a esmo.
“A polícia não pode receber tiros, a nossa obrigação é proteger vidas. A pessoa atirou na viatura e a polícia vai reagir. O que a polícia não pode é atirar sem saber onde, em quem e como isto está acontecendo”, concluiu.
Imagens
Imagens exclusivas feitas pelo repórter cinematográfico José Lucas,
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| Policiais levam a vítima para a ambulância |
Em uma imagem, Luiz Carlos é puxado pelos pés e seu corpo bate no chão. O policial militar ainda empurra seu braço com o pé. As cenas também revelam que o administrador estaria com vida quando foi tirado do automóvel, mas os agentes não acionaram uma ambulância. Quando o socorro chegou, Luiz Carlos e o assaltante foram levados de qualquer maneira para uma viatura do Batalhão Prisional, que levou os feridos para o Hospital Geral de Bonsucesso. No final da ação, um dos PMs assume a direção do veículo do administrador e o retira da pista, desfazendo assim a cena do crime.
Depois de assistir às imagens, o Relações-Públicas da Polícia Militar, tenente-coronel Rogério Luiz Teixeira Leitão, afirmou que o "desvio de conduta" dos policiais será apurado através de um Inquérito Policial Militar (IPM). Os agentes foram afastados do serviço nas ruas e fazem, até a conclusão do IPM, trabalhos burocráticos dentro do batalhão.
"Não é a forma adequada de prestar o socorro e há várias punições que podem ser aplicadas, desde a prisão por 30 dias até a expulsão", disse o tenente-coronel.
Mais cedo, antes de ver as imagens, o RP havia declarado em entrevista coletiva que a atitude dos policiais no ocorrido foi adequada. Segundo ele, os agentes somente revidaram os tiros disparados pelo bandido. O tenente-coronel descartou comparações entre a morte de Luiz Carlos e a do menino João Roberto, há duas semanas.
Investigação
| AE |
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| Carro da vítima foi atingido por dez tiros |
O caso
Luiz Carlos morreu na noite da última segunda-feira após uma perseguição policial feita por quatro agentes do 22º BPM (Bonsucesso). O administrador voltava da academia para casa e estava parado em um sinal de trânsito da avenida Leopoldo Bulhões, em Bonsucesso, quando foi abordado pelo assaltante Jeferson Santos Leal, de 18 anos.
O bandido mandou que Luiz Carlos se sentasse no banco do carona e assumiu a direção do automóvel. Uma viatura do 22º BPM (Bonsucesso), que fazia patrulhamento de rotina e passava no local no momento do assalto, percebeu a ação e iniciou uma perseguição ao veículo até São Cristóvão.
Segundo os policiais, na Avenida Brasil, o bandido efetuou disparos contra a viatura da PM. Os agentes revidaram e atingiram Luiz Carlos com três tiros. Já o assaltante, foi atingido nas costas e obrigado a parar o carro. Os dois foram levados para o Hospital Geral de Bonsucesso, mas o administrador chegou morto ao local. Jeferson foi operado e não corre risco de morte.
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