16/07 - 11:18, atualizada às 11:31 16/07 - Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - O presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse, nesta quarta-feira, que a saída do delegado da Polícia Federal (PF) Protógenes Queiroz, responsável pela operação Satiagraha, constitui “um grave prejuízo para às investigações”.
Segundo Itagiba, que já foi Secretario de Segurança do Rio de Janeiro e delegado da PF, é importante que o delegado que iniciou as investigações as acompanhe até o final. O motivo da saída do delegado Protógenes foi divulgado pela PF como se fosse um pedido pessoal de férias, mas, nos bastidores, ventila-se que ele teria sido convidado pela direção da PF para se afastar das investigações por supostos excessos.
A CPI dos grampos deve votar após sessão do Congresso, a convocação do delegado Protógenes, do juiz Faustos de Sanctis e do banqueiro Daniel Dantas. A sessão estava marcada para às 10h desta manhã, mas foi suspensa pois a sessão do congresso foi iniciada.
O relator da CPI, Nelson Pellegrino (PT-BA), disse que “a vinda do delegado Protógenes à CPI será uma boa oportunidade para ele explicar os reais motivos de sua saída”, se foi decisão própria ou não.
Afastamento
Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, delegado que comandou as investigações da Operação Satiagraha, teria pedido seu afastamento entre os dias 21 de julho e 22 de agosto nesta segunda-feira em reunião com a diretoria da Polícia Federal em Brasília. Ele teria alegado que precisa concluir um curso de atualização, mas já teria afirmado que não quer voltar ao caso. A assessoria também confirmou que o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, entrou em férias por uma semana.
| AE |
![]() |
| Queiroz pediu afastamento da Polícia Federal |
De acordo com a PF, os outros dois delegados - Carlos Eduardo Pellegrini Magro e Karina Murakami Souza - continuam no caso, ao contrário do que tem sido divulgado.
Queiroz teria feito o pedido diretamente ao diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, delegado Roberto Troncon.
Segundo a assessoria da instituição, o curso seria de atualização profissional obrigatório para todos agentes federais que completam 10 anos de serviço. O curso exigiria dedicação exclusiva e o delegado alega que não teria tempo para se dedicar ao caso.
Críticas e elogios
Principal responsável pela Operação Satiagraha - que investiga crimes de corrupção, desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro e evasão de divisas -, Protógenes vem recebendo críticas de parlamentares e de membros do STF, que acreditam que os procedimentos usados pelo delegado, como o uso de algemas, seriam muito duros.
De outro lado, Queiroz vem recebendo elogios de juízes e de boa parte da opinião pública pelas investigações que vem fazendo colocando na cadeia figuras como o banqueiro Daniel Dantas, o megainvestidor Naji Nahas, e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta.
Férias
A assessoria da Polícia Federal confirmou ainda que o diretor da instituição, Luiz Fernando Correa, entrou em férias nesta segunda-feira. No entanto, a assessoria ressalta que as férias, de uma semana, já estavam programadas e não têm relação com o pedido de afastamento do delegado Queiroz.
As férias de Corrêa não devem prejudicar as investigações do caso, segundo a assessoria da PF, que afirmou ainda que o diretor deve acompanhar os desdobramentos da operação durante o período.
Queixas
Nos bastidores, o delegado Protógenes Queiroz tem se queixado de que vem sofrendo boicote sistemático na instituição desde que o atual diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, tomou posse no cargo, em setembro passado, no lugar do delegado Paulo Lacerda, que foi deslocado para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Acusado de não ter dado satisfações da operação aos superiores, de agir com excesso de individualismo e de recorrer irregularmente ao auxílio da Abin, entre outros "desvios", Protógenes Queiroz é alvo de uma sindicância administrativa e uma representação na Corregedoria da PF, que podem render de advertência à remoção do delegado para um lugar remoto ou mesmo um processo de demissão.
Leia também:
Leia mais sobre: Operação Satiagraha

Publicidade
Provas do suborno levaram a pedido de prisão preventiva de Dantas, diz MPF
Menos de 24 horas após deixar carceragem da PF, Daniel Dantas é preso novamente