16/07 - 15:01, atualizada às 17:59 16/07 - Luciana Fracchetta, do Último Segundo
SÃO PAULO - Atrasado em uma hora, o banqueiro Daniel Dantas chegou, por volta das 15h desta quarta-feira, à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde deve prestar depoimento pela segunda vez. O depoimento do banqueiro estava marcado para as 14h. Acompanhado do advogado Nélio Machado, Dantas entrou na sede da Polícia Federal pela porta da frente, mas não falou com os jornalistas. A CPI das Escutas Telefônicas da Câmara aprovou nesta quarta a convocação de Dantas. O depoimento, no entanto, só deve ocorrer em agosto, após o recesso parlamentar, que começa nesta sexta-feira.
| AE/José Luis da Conceição |
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| Dantas chega à sede da PF, em São Paulo |
A defesa alega não ter recebido cópias de documentos apreendidos na casa do banqueiro, que, segundo a PF, comprovariam que Dantas tentou subornar um delegado para ter seu nome retirado das investigações da Operação Satiagraha.
CPI dos Grampos
Nesta quarta-feira, a CPI das Escutas Telefônicas da Câmara aprovou a convocação do banqueiro Daniel Dantas. O depoimento ainda não foi agendado e só deve ocorrer após o recesso parlamentar que começa no fim desta semana e vai até agosto.
Preso duas vezes na semana passada, Dantas foi libertado por decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. A PF acusa o banqueiro de ter cometido os crimes de formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, suspeita de espionagem e tentativa de corrupção.
Segundo o presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), autor do requerimento de convocação, a comissão quer confirmar se existem indícios ou práticas de grampos criminosos por parte do grupo de Daniel Dantas.
O banqueiro é suspeito de encomendar o monitoramento de telefonemas de ex-integrantes do governo, como o ex-ministro Luiz Gushiken, por meio da empresa Kroll.
A CPI quer ainda que ele esclareça a acusação de crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, gestão fraudulenta e evasão de divisas, além de pagamento de suborno a policiais.
A CPI aprovou também a convocação do delegado da PF Protógenes Queiroz, que comandou as investigações e foi afastado do caso, e do juiz Fausto de Sanctis, autor dos pedidos de prisão do banqueiro.
De acordo com Itagiba, o foco dos questionamentos a serem feitos ao juiz e ao delegado será a suspeita de realização de interceptação telefônica ilegal pelos acusados. “Queremos saber se os suspeitos cometeram o crime de interceptação ilegal”, disse o deputado Marcelo Itagiba.
O relator da comissão, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), disse ainda querer saber do delegado o motivo de as escutas telefônicas da operação terem durado dois anos. “Precisamos saber como estas informações foram manuseadas durante este período”, disse.
Pellegrino disse que “a vinda do delegado Protógenes à CPI será uma boa oportunidade para ele explicar os reais motivos de sua saída”.
A base do governo impediu que fossem aprovados requerimentos de convocação do investidor Naji Najas e do ex-deputado do PT Luiz Eduardo Greenhalgh.
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