14/07 - 15:57, atualizada às 18:32 14/07 - Redação
SÃO PAULO - Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom e suposto "braço direito" de Daniel Dantas, entregou-se à Polícia Federal. A assessoria de comunicação da PF não soube precisar quando Braz se entregou, mas disse que ele já foi transferido para o Centro de Detenção Provisória II (CDP II), de Guarulhos.
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| Braz seria o "braço direito" de Dantas (na foto) |
O dinheiro teria sido oferecido por determinação de Dantas para que seu nome, o de Verônica Dantas, irmã do banqueiro, e de Carlos Rodemburg, sócio e vice-presidente do Banco Opportunity, fossem retirados das investigações.
Em depoimento à Polícia Federal, Chicaroni teria confirmado esta versão. Por este motivo, o juiz federal Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, teria ordenado a prisão preventiva do banqueiro na última quinta-feira.
No entanto, Dantas foi beneficiado na sexta-feira por um habeas-corpus concedido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e deixou a prisão, pela segunda vez, em menos de 48 horas. A decisão de Mendes gerou polêmica entre os membros do judiciários.
Juízes promovem ato
Revoltados com a decisão de Gilmar Mendes, os juizes federais de São Paulo fazem nesta terça-feira, às 17h, um ato de desagravado em solidariedade ao juiz Fausto De Sanctis. O ato vai acontecer em frente ao Fórum Criminal de São Paulo, na Rua Ministro Rocha Azevedo.
No última sexta-feira, 130 juízes federais da 3ª Região (São Paulo e Mato Grosso do Sul) assinaram um abaixo-assinado em que se diziam indignados com a atitude do presidente do Supremo Tribunal Federal de pedir ao Conselho Nacional de Justiça, ao Conselho da Justiça Federal e à Corregedoria Geral da Justiça Federal da 3ª Região que investigassem a decisão do juiz federal Fausto de Sanctis.
O magistrado autorizou a prisão preventiva do banqueiro Daniel Dantas, investigado na Operação Satiagraha, da Polícia Federal, por suposto envolvimento em crimes financeiros.
Segundo o presidente da Associação dos Juizes Federais de São Paulo, Ricardo de Castro Nascimento, o ato é espontâneo e poucos juízes que assinaram o manifesto devem estar presentes. Ele diz que a presença física talvez não seja expressiva, mas que a manifestação de aopio servirá para reforçar que um juiz não pode ser investigado por uma decisão.
“Não temos hierarquia disciplinar nas decisões. O tribunal só toma conhecimento da decisão de um juiz e só pode reformá-la se houver recurso. A decisão de um juiz não pode provocar uma investigação disciplinar, pois isto tira independência”, afirmou o representante da Associação de juízes.
Nascimento informou ainda que não há intenção de entregar o documento ao ministro Gilmar Mendes, que está em São Paulo. “É uma manifestação de solidariedade ao juiz Fausto De Sanctis, que servirá para divulgar o funcionamento do poder judiciário. O juiz de primeira instância está mais perto do fato. Os de alçadas superiores estão mais distantes. Isso permite visões diferentes, o que reforça a democracia”, finalizou.
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