11/07 - 00:59, atualizada às 11:54 11/07 - Redação com Agência Estado
SÃO PAULO - O megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta deixaram a sede da Polícia Federal em São Paulo, localizada na zona oeste da cidade, por volta de 0h50 desta sexta-feira. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, concedeu o pedido de habeas-corpus a Nahas e Pitta, na tarde de quinta-feira, atendendo à solicitação da defesa de estender o habeas-corpus que havia libertado Daniel Dantas na madrugada de quinta-feira.
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| Naji Nahas deixa carceragem da PF em SP |
Segundo o STF, o ministro determinou a soltura de Roberto Sande Caldeira Bastos, Miguel Jurno Neto, Celso Roberto Pitta do Nascimento, Carmine Henrique e Carmine Henrique Filho, Antonio Moreira Dias Filho, Maria do Carmo Antunes Jannini, Naji Robert Nahas, Fernando Naji Nahas e Marco Ernest Matalon.
As defesas de todos os envolvidos alegaram que suas prisões temporárias foram decretadas por uma mesma decisão, e se baseavam nos mesmos fundamentos, o que justificaria a extensão, afirma o ministro em sua decisão.
O ministro Gilmar Mendes concedeu, ainda, pelos mesmos fundamentos, liminar em outro habeas-corpus, impetrado individualmente por Lúcio Bolonha Funaro, preso pela mesma operação da Polícia Federal.
Dantas, Pitta, Nahas e mais 14 pessoas foram presos pela PF na Operação Satiagraha, deflagrada na terça-feira para desbaratar um suposto esquema de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro (entenda a operação).
Dantas volta à prisão
Menos de 11 horas após o STF conceder o habeas-corpus, por volta das 15h30 de quinta-feira, Daniel Dantas foi preso novamente pela Polícia Federal. No entanto, diferentemente de terça-feira - quando o banqueiro foi preso em caráter temporário, agora a prisão é preventiva. (saiba a diferença)
A prisão de Dantas ocorreu em um escritório localizado na avenida Nove de Julho. O banqueiro havia deixado a carceragem da Polícia Federal, localizada no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, por volta das 5h30 de quinta-feira. (veja vídeo)
"A ordem de prisão preventiva foi solicitada pela Polícia Federal em São Paulo em razão de documentos encontrados nas buscas realizadas na última terça-feira e oitiva [depoimento] de uma testemunha que fortaleceram a ligação entre o preso e a prática do crime de corrupção (suborno) contra um policial federal que participava das investigações", informa a polícia, por meio de nota.
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| Dinheiro apreendido na operação |
Diferentemente da primeira prisão, desta vez, Dantas é acusado de corrupção ativa por oferecer US$ 1 milhão para subornar um delegado da PF e evitar as investigações que levaram à sua prisão na última terça. O suborno era para livrar também sua irmã, Verônica Dantas, e Carlos Rodemburg, sócio e vice-presidente do banco, ambos investigados na Operação Satiagraha.
Gilmar Mendes
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, evitou comentar a prisão preventiva de Daniel Dantas decretada pelo juiz Fausto de Sanctis, da Justiça Federal de São Paulo, na tarde desta quinta-feira.
Questionado se seria uma afronta à sua decisão, o ministro reiterou a falta de informações no caso. “Não conheço a decisão. Vamos aguardar", disse Gilmar Mendes, que concedeu na noite desta quarta-feira o habeas-corpus que libertou Daniel Dantas e outras 10 pessoas presas na operação.
Atrito no Judiciário
A decisão de Gilmar Mendes, de conceder habeas-corpus a Daniel Dantas, no entanto, gerou revolta no Ministério Público Federal em São Paulo, que participa das investigações da Operação Satiagraha.
Em entrevista coletiva na tarde de quinta-feira, o procurador Rodrigo De Grandis disse que a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) foi "inconstitucional". "Na minha opinião, a decisão foi ilegal e inconstitucional. Daniel Dantas não tem foro privilegiado".
De Grandis foi o autor do pedido de prisão preventiva que levou Dantas de volta à prisão menos de 24 horas depois de o banqueiro ter sido beneficiado pela decisão do STF.
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