10/07 - 12:05, atualizada às 13:20 10/07 - Redação
SÃO PAULO - A acusação de corrupção ativa, pela suposta tentativa de suborno a um delegado, é a que mais preocupa os advogados de Daniel Dantas, segundo o jornal "Valor Econômico". O banqueiro é investigado na Operação Satiagraha da Polícia Federal, que na terça-feira prendeu 17 entre as 24 que tiveram a prisão decretada.
Apesar de parecer uma acusação secundária em meio a tantos supostos crimes pelos quais Daniel Dantas terá de responder, a suposta tentativa de suborno pode levar a 2 a 12 anos de prisão, diz o jornal.
Já a venda de fundos "offshore" para residentes seria prática comum entre gestores de recursos e de fácil defesa, segundo o "Valor". O argumento do uso de empresas de fachada seria "balela", segundo os advogados, porque é uma estrutura amplamente conhecida desde 1998, época da privatização, diz o jornal.
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| Daniel Dantas ao deixar a sede da PF em São Paulo na madrugada de hoje |
A versão que se tem até agora sobre a suposta tentativa de suborno é a da Polícia Federal, segundo a qual emissários de Dantas ofereceram US$ 1 milhão ao delegado Vitor Hugo Rodrigues Alves para que Dantas, sua irmã Verônica e o filho dela fossem excluídos da investigação, relata o "Valor". O delegado teria aceito dois pagamentos que somavam R$ 130 mil em dinheiro e a negociação da propina foi aprovada pela Justiça. As provas foram obtidas em encenação feita pela polícia para que os mensageiros acreditassem na negociação, diz o jornal.
Foram dois os mensageiros, segundo a polícia: Humberto Braz, homem forte de Dantas, ex-presidente da Brasil Telecom Participações, e seu amigo Hugo Chicaroni, diz o "Valor". De acordo com o jornal, eles poderão se defender com base no que no Direito se chama de "crime impossível": caíram em uma armação que os induziu ao crime. Com isso, o Supremo Tribunal Federal pode rejeitar a prova, diz o jornal.
Para o "Valor", a defesa pode também tentar blindar Dantas, negando que ele seja o mandante. Para se chegar a Dantas, advogados criminalistas dizem que serão necessárias provas, como testemunhas, documentos, interceptação telefônica ou o trajeto do dinheiro da propina, relata o jornal. Se o dinheiro tiver sido retirado de contas que liguem Braz ou Chicaroni a Dantas, a defesa fica mais difícil, diz o "Valor".
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