08/07 - 15:01, atualizada às 15:56 08/07 - Redação
SÃO PAULO - O cerco ao ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta foi fechado a partir de denúncias que Nicéa, ex-mulher de Pitta, fez ao Ministério Público. As informações são da Agência Estado.
Segundo a Agência Estado, ela revelou, em depoimento formal, que Pitta mantinha "estreita relação" com o investidor Naji Nahas. Segundo a PF, grampos telefônicos mostram que remessas de valores em espécie para Pitta foram realizadas por determinação de Nahas a doleiros.
De acordo com Nicéa, um filho do investidor, Fernando Nahas, "entregava envelopes para seu ex-marido". Ela teria afirmado ao Ministério Público que certa vez abriu um desses envelopes encontrando documentos que comprovam sociedade entre Nahas e Pitta na offshore Yukon River, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas.
Pitta foi preso nesta terça-feira durante a Operação Satiagraha realizada pela Polícia Federal. Além dele, foram detidos Daniel Dantas, dono do Opportunity, diretores do grupo e o investidor Naji Nahas. A polícia cumpre 24 mandados de prisão e 56 ordens de busca e apreensão.
O grupo investigado é suspeito dos crimes de formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
Prisão "sensacionalista"
A advogada do ex-prefeito, Paula Sion de Souza Naves, afirmou que não teve acesso aos detalhes que motivaram a operação, mas classificou a prisão de seu cliente de "sensacionalista", em razão do fato ter sido divulgado à imprensa antes da prisão ser efetuada.
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| Celso Pitta, um dos presos na operação |
A advogada Paula Naves acredita que o ex-prefeito deverá ficar preso até quinta-feira na PF em São Paulo. Ela informou que vai solicitar sua liberação assim que ele prestar depoimento. "Fui informada pela PF que o depoimento do senhor Celso Pitta não deve ocorrer nem hoje nem amanhã", disse, destacando que irá solicitar a liberação de Pitta, junto à Justiça Federal, depois do depoimento. "Isso demonstrará que está colaborando com as investigações e não há, portanto, justificativa para permanecer detido", argumentou.
A advogada acompanhou o final da operação que culminou na prisão de Celso Pitta em sua residência e disse que não tem certeza sobre o material que foi apreendido pelos agentes da PF, pois no local, segundo ela, não havia uma quantidade relevante de documentos. Ela informou que chegou ao domicílio por volta das 9h e ficou até o final da ação, encerrada por volta de uma hora depois.
"Não tive acesso aos autos do processo ainda. O senhor Pitta foi preso com base num mandado de prisão expedido pela Justiça no qual constava o número do processo", afirmou. Ela disse que agora vai solicitar à Justiça Federal e a à PF o acesso às informações do processo que motivaram a detenção do ex-prefeito para, então, definir a estratégia da defesa de seu cliente. "Sem saber os detalhes dos autos fica difícil o nosso trabalho."
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