05/07 - 13:46 - Cristiane Carvalho, do Último Segundo
As alianças acertadas pelos partidos para as eleições municipais deste ano mostram que, a despeito da divisão entre governo e oposição em nível nacional, continuam a prevalecer no País os arranjos locais.
Assim, siglas que são rivais em Brasília farão campanha juntas na maioria das capitais: aliados do governo Lula e oposição vão dividir o palanque em nada menos que 24 delas – as exceções são Florianópolis (SC) e Vitória (ES).
Os dois principais partidos que polarizam a política no País, PT e PSDB, acertaram aliança em 12 cidades com mais de 200 mil eleitores. Além disso, estarão unidos, informalmente, em Belo Horizonte (MG).
São Paulo
Em São Paulo, 11 candidatos disputarão a prefeitura. Apesar das pressões do bloco tucano encabeçado pelo governador José Serra em favor da união PSDB-DEM pela candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM), o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) disputará a eleição, contra o tradicional partido aliado – ao menos no primeiro turno.
Kassab terá a peemedebista Alda Marco Antônio como vice, com apoio do PR, PV, PSC e PRP, e aposta em sua boa relação com Serra para conquistar eleitores. Alckmin tem o deputado Campos Machado (PTB) em sua chapa e é apoiado por PSL, PHS e PSDC. Ele deve evitar o “fogo amigo” contra o democrata, de olho num possível segundo turno, preferindo centrar seus ataques na candidata do PT, Marta Suplicy.
A ex-prefeita tem o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B) como vice, com apoio do PSB, PDT, PTN e PRB. A petista espera capitalizar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reverter seu ponto fraco: a alta taxa de rejeição ao seu nome.
O deputado federal Paulo Maluf (PP) tenta um novo mandato na capital ladeado pela deputada federal Aline Corrêa, também do PP. A disputa pela indicação gerou desavenças no partido. O deputado Celso Russomanno, que queria encabeçar a chapa, chegou a trocar agressões físicas com a candidata a vice nesta semana.
O PPS terá candidato próprio pela primeira vez: a escolhida foi a vereadora Soninha Francine. O cineasta João Batista Andrade, também do PPS, completa a chapa. Pelo PSOL, concorre o deputado federal Ivan Valente, tendo o deputado estadual Carlos Gianazzi como vice. O partido tem o apoio do PSTU.
O PRTB lança o nome de seu presidente, Levy Fidelix, ladeado pelo advogado Marcelo Duarte. O PTC repete seu candidato das últimas eleições: Ciro Moura, vice-presidente da sigla, ao lado de Toni Rodrigues, do PT do B. O PCO volta a concorrer com Anaí Caproni – Roberto Gerbi, do mesmo partido, é o vice.
O professor universitário Edmilson Costa é o candidato do PCB, ladeado pela colega de partido Fernanda Mendes. Já o PMN lançou o nome de Renato Reichmann, e o advogado Lucas Albano completa a chapa.
Rio de Janeiro
O Rio terá 11 candidatos à sucessão de César Maia (DEM). As alianças para a disputa foram redefinidas nas últimas semanas, após a decisão do PMDB de romper com o PT e lançar candidato próprio. A repercussão da morte de três moradores do morro da Providência, após a ação de integrantes do Exército – que faziam a segurança das obras do projeto Cimento Social, de autoria do senador e candidato Marcelo Crivella (PRB) – e as acusações de uso eleitoral da obra também interferiram no jogo político.
Após desistir de apoiar o candidato petista, Alessandro Molon, o PMDB decidiu lançar o nome do ex-secretário estadual de Esportes e Turismo Eduardo Paes. Com a decisão, o PTB, que acertava o apoio à candidatura de Crivella, aliou-se ao PMDB, assim como PP e PSL.
O PRB do vice-presidente José Alencar aposta no ex-bispo da Universal Crivella para chegar à prefeitura, em coligação com PR e PSDC. Já o Democratas conta com a deputada federal Solange Amaral para tentar garantir mais quatro anos no Executivo, com o apoio do PTC.
Pelo PC do B, concorre a ex-deputada federal Jandira Feghali, em coligação com o PSB, PRTB, PHS e PTN. O deputado federal Fernando Gabeira é o candidato do PV, com o apoio do PSDB e PPS.
O PDT será representado pelo deputado estadual Paulo Ramos. O PSOL concorre com o deputado Chico Alencar, apoiado pelo PSTU. O advogado Vinícius Cordeiro concorre pelo PT do B. O PCB lançou o nome do deputado Eduardo Serra. E o PSC será representado pelo deputado federal Felipe Pereira.
Belo Horizonte
A Executiva Nacional do PT não aceitou a coligação com os tucanos na capital mineira, por avaliar que a união poderia fortalecer uma possível candidatura do governador Aécio Neves (PSDB) à Presidência em 2010.
Apesar disso, tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto Aécio pretendem atuar na campanha do ex-secretário estadual Márcio Lacerda (PSB) – e já prometeram subir em seu palanque. A coligação oficial de Lacerda é formada por PT e PSB.
Outros seis candidatos disputarão o cargo em Belo Horizonte. O PDT lançou o nome do ex-deputado federal Sérgio Miranda. O PC do B terá a deputada federal Jô Moraes à frente da coligação com o PRB. Pelo PMDB, concorre o deputado federal Leonardo Quintão, com o apoio do PHS.
O Democratas aposta no deputado estadual Gustavo Valadares. O PRTB terá como candidato o fundador da União Representativa dos Estudantes, Jorge Periquito. E o PSTU, com o apoio do PSOL, concorre à vaga com a dirigente sindical Vanessa Portugal.
Porto Alegre
Em Porto Alegre, nove partidos têm candidato próprio à vaga de prefeito. A candidatura do deputado estadual Nelson Marchezan Júnior (PSDB) foi a que gerou mais controvérsia. Até o final de junho, os tucanos ainda não haviam decidido se teriam candidato próprio.
Parte da sigla defendia o apoio à reeleição do atual prefeito, José Fogaça (PMDB), para garantir o apoio dos deputados peemedebistas ao governo de Yeda Crusius (PSDB), desgastado pelas investigações sobre fraudes milionárias no Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
Outros grupos preferiam apoiar o candidato democrata, Onyx Lorenzoni – idéia rechaçada pela corrente ligada à governadora, rompida com o vice-governador Paulo Feijó (DEM). O nome de Marchezan Júnior foi confirmado no penúltimo dia para as convenções partidárias, 29 de junho, em chapa pura.
O peemedebista Fogaça terá o apoio do PDT e PTB. Lorenzoni tem a seu lado o PP e o PSC. O PT será representado pela deputada federal Maria do Rosário, em coligação com o PRB. A deputada federal Manuela D’Ávila, do PC do B, disputará o cargo com o apoio de outros seis partidos: PPS, PSB, PR, PMN, PTN e PT do B.
A deputada federal Luciana Genro concorre pelo PSOL, em coligação com o PV. O PSTU tem a sindicalista Vera Guasso como candidata, em aliança com o PCB. Já o PHS será representado por Paulo Rogowski, e o PCO, por André Tiago Tartas.
Salvador
Apenas cinco partidos lançaram candidatos próprios na capital baiana: PT, PSDB, DEM, PMDB e PSOL. Outros 21 se dividiram entre os candidatos.
O sucessor político de Antonio Carlos Magalhães, deputado federal ACM Neto, é o candidato do Democratas, com apoio do PR, PRB, PTC, PTN, PSDC, PRP e PT do B. O atual prefeito, João Henrique Carneiro (PMDB), tenta a reeleição em coligação com outros oito partidos: PTB, PP, PDT, PSC, PSL, PHS, PRTB e PMN.
O PSDB aposta no ex-prefeito e ex-governador Antonio Imbassahy, apoiado pelo PPS. O deputado federal Walter Pinheiro representa o PT, além do PSB, PV e PC do B. E o PSOL tem como candidato o funcionário público Hilton Coelho, com o apoio do PSTU e do PCB.
Recife
Seis candidatos se enfrentarão nas urnas pela vaga de prefeito da capital pernambucana. O deputado estadual João da Costa (PT) é o campeão de adesões: sua coligação tem nada menos que 16 partidos. Apóiam a candidatura petista o PSB, PTB, PDT, PR, PMN, PHS, PTN, PRB, PT do B, PSL, PRP, PRTB, PGT, PSDC e PC do B.
Além do apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Costa conta com a presença do governador Eduardo Campos e do atual prefeito João Paulo em sua campanha.
O Democratas concorre sem coligação, apostando no ex-governador Mendonça Filho. O PMDB é representado pelo deputado federal Raul Henry, com o apoio do PSDB. Pelo PSC, concorre ao cargo o deputado federal Carlos Eduardo Cadoca, em coligação que inclui o PPS, PP, PV e PTC.
O PSTU lançou como candidata a pedagoga Kátia Teles, sem se aliar a nenhum outro partido. Também com chapa pura, o PSOL será representado pelo técnico industrial Edílson Silva.
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