04/07 - 14:55, atualizada às 15:17 04/07 - Rodrigo Ledo – Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - O Democratas (DEM) irá orientar seus candidatos a abordarem, nas campanhas das eleições municipais de outubro, a volta da inflação para atacar o governo e obter votos “de protesto”. A cúpula do partido definirá, na próxima semana, estratégias para emplacar a tese de que a inflação esvazia a geladeira dos pobres por fatores como a “gastança” governamental e falta de preparo para os abalos internacionais.
Segundo o idealizador da tática, deputado federal Paulo Bornhausen (DEM-SC), um das principais formas de preparo do candidato e de sensibilização do eleitor será o “feirão da inflação”, evento a ser realizado em todos os estados para conscientização do aumento de preços da alimentação, item mais importante no orçamento familiar dos pobres. O primeiro feirão foi feito em Florianópolis nesse fim de semana, com apoio de Bornhausen, um dos parlamentares que se destacaram na luta contra a prorrogação da CPMF, em 2007, e pela redução dos impostos.
“Segundo institutos de credibilidade como o Dieese, a cesta básica aumentou em até 52% nos últimos doze meses, caso de Natal (RN). Em Recife, foi de 45%”, destacou Paulo Bornhausen. O deputado ressalta que no DEM “o objetivo não é ganhar a eleição com a inflação”, mas formar um juízo crítico da população sobre o problema, e um efeito colateral seria o “voto de protesto”.
O deputado disse que os altos índices de popularidade do presidente Lula não irão atrapalhar, nem o fato de a inflação ser um tema nacional – já que as eleições municipais têm um caráter regional, com ênfase em questões do cotidiano do eleitor.
“O presidente Lula tem um grande poder de comunicação e pode confundir as pessoas num primeiro momento, mas as pessoas não terão mais dúvidas quando faltar comida em casa. Quem cuida de inflação é o presidente, o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central. A inflação tem endereço, e é o Palácio do Planalto”, argumentou Bornhausen.
Manipulação
Idéias como essa serão trabalhadas de forma didática pelo DEM, inclusive como “antídoto” para o discurso dos candidatos governistas sobre as melhores condições do povo após o programa Bolsa Família – que teve reajuste dos benefícios no mês passado, de 18% em média.
“O aumento no Bolsa Família não atingiu a enorme massa que ganha salário mínimo. O reajuste do mínimo foi de um dígito, enquanto a comida encareceu dois dígitos. O candidato vai entrar na casa de famílias pobres, e em vez de ouvir pedido de construção de praça ou ponte, vai ouvir que acabou o gás, que as contas de luz e água estão atrasadas e o dinheiro não dá mais para a comida”, observou Paulo Bornhausen.
Ele sustenta que “não adianta o governo dizer que a inflação vem de fora, porque um dos principais fatores, a alta do petróleo, era previsto desde o ano passado, e o governo não fez o planejamento correto para enfrentar o problema”.
O líder do DEM no Senado, senador José Agripino Maia (RN), disse que esse é um tema que nem precisaria ser abordado em campanha porque “a inflação tira votos naturalmente”. Ele receia a “manipulação” do tema pelo presidente Lula.
“A inflação o povo sente. Significa má condução da política econômica, porque o governo não reduziu a carga tributária e não baixou a taxa de juros quando deveria [para favorecer investimentos de empresários na oferta de produtos], e ainda aumentou os gastos, gerando maior demanda de produtos e serviços e contribuindo para o reajuste dos preços”, alegou Agripino.
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