02/07 - 14:16, atualizada às 16:37 02/07 - Bruno Rico, do Último Segundo
SÃO PAULO - O presidente da Federação dos Hotéis, Bares e Restaurantes (FNHRBS), Norton Lenhard, disse que “faltou bom senso” e que a “lei seca” prejudica pessoas que não são fatores de risco. A Federação tentará, no Congresso Nacional, mudar a quantidade-limite de álcool no sangue dos motoristas.
De acordo com a nova legislação, por exemplo, quem beber um chope e dirigir pode ter a carteira de motorista suspensa por um ano, o carro apreendido, e pagar multa de R$ 955. O valor-limite é de 0,2% de álcool por litro de sangue.
Em Porto Alegre, com a nova lei, o consumo de bebidas caiu 36% neste fim de semana, segundo pesquisa feita pelo Sindicato da hotelaria e Gastronomia (Sindpoa). A pesquisa avaliou os 53 principais bares e restaurantes da capital e também revelou queda de 30% na freqüência dos clientes.
“Os comerciantes estão apavorados. De repente, o negócio cai 30% e a tendência é quebrar”, disse o presidente do Sindpoa, Daniel Antoniolli. Para ele, “estamos alinhados com o radicalismo dos países muçulmanos”. Países como Qatar e Emirados Árabes Unidos têm o mesmo índice do Brasil.
No Rio de Janeiro, onde a queda do consumo de álcool foi estimada em 25%, o presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes (Sindrio), Alexandre Sampaio, disse que a “legislação está exagerada”. A entidade espera que o Executivo tome a iniciativa de adequar a lei aos padrões europeus e americanos, onde a porcentagem permitida de álcool no sangue varia de 5% a 8%. Caso contrário, pretendem entrar com ação judicial.
Em São Paulo, a estimativa de queda do consumo de álcool é de 20%. “Antes, o limite era até 6% (de álcool no sangue), mas não havia fiscalização. Agora, invés de simplesmente aplicarem a fiscalização, criaram uma intolerância desnecessária”, disse o assessor do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes de São Paulo.
Lenhard, apesar de entender que “Parlamento exagerou na dose”, está otimista quanto à flexibilização de lei. “Tenho conversado com parlamentares e há pré-disposição em atingirmos um consenso”. A entidade está trabalhando para “acabar com a tolerância-zero” e para liberar venda de álcool em restaurantes de rodovias em áreas rurais. Atualmente, a lei só permite a venda em rodovias localizadas em áreas urbanas.

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