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Procedimento administrativo vai investigar morte de jovem em boate no Rio

30/06 - 18:48, atualizada às 19:49 30/06 - Anderson Dezan, repórter do Último Segundo no Rio

RIO DE JANEIRO – O procurador-geral de Justiça do Estado, Marfan Martins Vieira, afirmou nesta segunda-feira (30) que vai instaurar um procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da morte de Daniel Duque Pittman, de 18 anos. Segundo Marfan Vieira, os investigadores têm até dez dias para tirar suas conclusões. A procuradoria-geral quer apurar se houve excesso na atuação do policial militar Marcos Parreira do Carmo no ocorrido e se o uso da arma foi realmente necessário. Os envolvidos na investigação ainda vão analisar o laudo cadavérico do jovem, as imagens feitas pelas câmeras da boate e ouvir, em até 48 horas, Pedro Velasco, filho da promotora do Ministério Público Estadual, Márcia Velasco.

 

Daniel Duque morreu na madrugada do último sábado em frente à boate Baronetti, em Ipanema, zona Sul do Rio, após uma briga entre dois grupos de jovens. Durante a confusão, ele levou que teria sido desferido pelo PM, que fazia a segurança do filho da promotora do MPE.

“A conduta atribuída ao soldado PM Marcos Parreira do Carmo, com abstração dos aspectos circunstanciais que envolveram a sua prática, é de inegável gravidade. Afinal, culminou com a retirada de uma vida humana, a do jovem Daniel Duque Pittman”, afirmou Marfan, no despacho em que determinou a instauração do processo administrativo.

Reprodução
Divulgação
Daniel Duque, 18
Com o resultado da investigação, será definido se Marcos Parreira do Carmo continuará prestando serviços à procuradoria-geral. Se for condenado culpado por homicídio qualificado, ele será expulso da corporação e poderá pegar até 30 anos de reclusão. Em seu depoimento, o policial alegou legítima defesa, afirmando que o tiro foi acidental. Ele está detido no Batalhão Prisional da PM. A arma que o agente utilizava, uma pistola calibre 380, foi apreendida para perícia.

A mãe do jovem assassinado, Daniela Duque, está acompanhando as investigações e pediu justiça ao deixar a 14ª DP (Leblon), onde o caso está sendo apurado. Ela teme que o caso seja esquecido e não se conforma com a versão de legítima defesa apresentada pelo policial. Daniela contesta a presença do agente naquela hora e o fato de ele ser o único envolvido no incidente que estava armado.

Segurança pessoal

Marcos Parreira do Carmo realizava a segurança pessoal da promotora Márcia Velasco há sete anos porque ela vinha sendo ameaçada de morte pelo traficante Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Há registros de conversas feitas há dez dias dentro do presídio de segurança máxima em que o bandido está preso, onde Beira-Mar revela seu ódio mortal por Márcia Velasco e seu desejo de matá-la antes dele morrer. Por causa disso, o serviço de segurança pessoal foi estendido aos familiares, principalmente os que moram com a ameaçada. Segundo o procurador, a promotora está chocada e traumatizada com o que aconteceu.

“Ela está chocada, vivendo um momento muito difícil da sua vida, tanto quanto a mãe que perdeu o filho ela também sofre muito com esse episódio. Ela ficou de apresentar o filho em 48 horas”, disse Marfan.

De acordo com a Procuradoria-Geral de Justiça, 250 policiais militares fazem a segurança de promotores que lidam com a área criminal. Os agentes ficam lotados no Grupo de Apoio a Promotores (GAP), da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público.

Os PM´s são escolhidos por indicações e passam por cursos e treinamentos especializados. Segundo o coordenador de Segurança e Inteligência do MP, Dimitrius Viveiros Gonçalves, nos registros da PM não há nada que desabone a conduta do agente envolvido no caso antes do ocorrido no último sábado.

Por causa do incidente no último sábado, a Coordenação de Segurança e Inteligência do Ministério Público deverá rever os critérios de procedimento de policiais militares na segurança de promotores ameaçados e de seus familiares.

“Nós vamos ter que estabelecer determinados limites para o exercício da segurança. O que se busca é alterar minimamente a rotina das pessoas seguradas, mas talvez nós tenhamos que, a partir deste fato, estabelecer algumas regras para a atuação desses policiais. Sinceramente eu não sei quais modificações devem ser feitas, mas acho que se deva fazer um balizamento das regras atuais” declarou o procurador-geral de Justiça.

O caso

Segundo testemunhas, a vítima estava comemorando o aniversário de um amigo na boate Baronetti, em Ipanema, zona sul do Rio. Ele saiu por volta das cinco da manhã acompanhado de dois amigos. Daniel teria seguido na frente com um dos amigos e se envolveu em uma briga com um grupo rival.

No meio da confusão estava Pedro Velasco, filho da promotora do MPE, Márcia Velasco. Para desfazer a confusão, o segurança dele, o policial militar Marcos Parreira do Carmo, deu dois tiros para o alto. Uma das versões atesta que um dos jovens envolvidos na briga tirou tirar a arma do agente que acabou efetuando mais um disparo que acertou Daniel Duque Pittman, de 18 anos. Outra versão registra que a briga começou no grupo em que estava o PM.

Daniel foi levado às pressas para o Hospital Copa D´or, em Copacabana, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. A administração da boate Baronetti informou que não foram registradas brigas ou confusões dentro do estabelecimento.

Familiares da vítima irão fazer um manifesto no próximo sábado, a partir das nove da manhã, na praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. Eles irão pedir paz no Rio de Janeiro e exigir que os culpados pelo crime não saiam impunes.

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