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Caminhões ameaçam parar SP hoje

30/06 - 12:38 - Agência Estado

A partir de hoje, a Prefeitura de São Paulo pretende tirar de circulação 85 mil caminhões do centro expandido da cidade. Mas, se depender dos caminhoneiros, isso não representará menos congestionamentos.

Eles ameaçam parar o trânsito ocupando os acostamentos da Marginal do Tietê e fazendo comboios em protesto à restrição de circulação de caminhões que já está valendo. A Prefeitura, por outro lado, promete reforçar a fiscalização.

O Sindicato dos Condutores em Transportes Rodoviários de Cargas Próprias de São Paulo promete reunir 200 caminhões às 11 horas para circular lentamente pelas principais vias da cidade. Já a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM) pretende prejudicar o trânsito apenas seguindo as regras. Como não podem parar no acostamento das estradas, por conta da fiscalização da Polícia Rodoviária, os caminhões vão esperar o horário permitido no acostamento das Marginais. "Como são muitos, alguma faixa será ocupada", afirmou o presidente da entidade, José Lopes.

Os impactos positivos e negativos da medida podem ser maquiados por um detalhe: hoje começam as férias escolares. "Naturalmente, o trânsito fluirá melhor", disse o consultor em transporte Horácio Figueira. E, para evitar constrangimentos, dessa vez o rodízio não será suspenso. No ano passado, a Prefeitura liberou os veículos da restrição nesta época do ano, mas os congestionamentos recordes fizeram o prefeito Gilberto Kassab (DEM) retomar o rodízio antes do previsto.

Os especialistas acreditam que, pelo menos nos primeiros meses, a restrição aos caminhões vai aliviar o trânsito. Mas nem toda a cidade deve sentir os impactos. "Os moradores do Ipiranga vão notar uma melhora maior do que quem vive nos Jardins, por exemplo. Mas toda a cidade vai ganhar", disse o engenheiro e professor da Escola Politécnica da USP Jaime Waisman. Dos cinco especialistas ouvidos pela reportagem, ele foi o único a defender plenamente a medida.

Segundo o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, a medida reduzirá de 15% a 17% o congestionamento da capital. Nas contas dos técnicos da secretaria, um caminhão parado ou em movimento ocupa, em média, 50 metros quadrados de área e um veículo urbano de carga (VUC) , 25 metros quadrados. Para mostrar as vantagens da medida, a secretaria compara esses dados com o espaço ocupado por um carro: 15 metros quadrados.

E é justamente em torno dessa comparação que está a crítica de alguns especialistas. Tanto para Horácio Figueira quanto para o ex-secretário de Transportes Adriano Branco, a restrição aos caminhões não resolve o problema do trânsito porque vai facilitar ainda mais a vida de quem anda de carro. "Vai sobrar mais espaço. Quem não usava o automóvel, vai usar. Em poucos meses, vai estar tudo na mesma", disse Figueira.

Fiscalização reforçada

Com 500 marronzinhos e um número não informado de policiais militares, a Prefeitura prometeu para hoje uma força-tarefa para garantir o cumprimento da restrição de caminhões na cidade. O perímetro de 100 km2, onde os motoristas de veículos pesados não poderão circular das 5 às 21 horas, foi dividido em 16 células. Nessas áreas, os agentes farão a fiscalização em pontos fixos, rondas e blitze.

O motorista de caminhão grande que desrespeitar a medida poderá ser multado a cada duas horas, dentro da área de restrição. Os veículos urbanos de carga (VUCs), entre hoje e novembro, enfrentarão um rodízio de placas pares e ímpares, das 5 às 21 horas.




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