27/06 - 18:43, atualizada às 19:26 27/06 - Redação
RIO DE JANEIRO – A promotora Hevelize Jourdan Covas Valle, do Ministério Público Militar (MPM), disse nesta sexta-feira que o tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade entrou diversas vezes em contradição durante a acareação realizada no 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, zona Norte do Rio. O militar é suspeito de ter entregado os três jovens do Morro da Providência aos traficantes da facção rival, no Morro da Mineira.
Na primeira acareação, o capitão Laerte Ferrari Alves confirmou que no dia do crime ele deu ordens expressas para liberar os rapazes presos pela polícia. Já o tenente Vinícius disse que não entendeu a ordem dada pelo capitão. A segunda acareação colocou frente a frente o tenente e o soldado Fabiano Eloi, que teria evitado a fuga dos três jovens.
De acordo com a promotora do MPM, o tenente Vinícius entrou em contradição durante seu depoimento enquanto os outros dois interrogados se limitaram a reportar o que haviam feito. Hevelize Jourdan, disse ainda que o capitão e o soldado foram fiéis ao que relataram anteriormente, enquanto o tenente não reforçou nem o argumento inicial de que teria levado os jovens para o Morro da Mineira com o intuito de dar um corretivo neles. Ele ainda tentou atribuir a culpa do ocorrido ao sargento Maia.
Durante as acareações realizadas nesta sexta-feira, os investigadores não conseguiram descobrir se as vítimas foram fotografadas ou filmadas durante a abordagem. A denúncia é de que os jovens foram espancados pelos próprios militares. Na segunda feira, a promotora Hevelize Jourdan deve ouvir a mãe de Wellington Gonzaga Costa, um dos jovens mortos, e o soldado Samuel, um dos onze militares detidos.
Segundo a 4ª DP (Praça da República), que investiga o caso, os assassinos dos três jovens do Morro da Providência já estão identificados. Pelo menos quatro foram reconhecidos por meio de fotos pelos militares que entregaram os rapazes aos traficantes do Morro da Mineira.
Missa e manifestação
Familiares dos três jovens do Morro da Providência que morreram após
| AE |
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| Familiares dos jovens mortos na Candelária |
Denúncias da procuradoria
O tenente Gidhetti, o 1º sargento Leandro Maia Bueno e os soldados Fabiano Eloi dos Santos e José Ricardo Rodrigues de Araújo serão denunciados nesta sexta-feira por triplo homicídio qualificado pelos procuradores da República junto ao juízo da 7ª Vara Federal Criminal.
Os sete militares que os acompanharam ao Morro da Mineira, onde entregaram aos traficantes os três jovens moradores do Morro da Providência, serão acusados de co-autoria, por terem se omitido quando podiam evitar os assassinatos. Apesar da diferença, as penas a que estão sujeitos - de 12 a 30 anos por morte - são iguais para todos.
| AE/Wilton Junior |
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| Militares patrulham o Morro da Providência |
O caso
| AE/Marcos DPaula |
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| Policiais do Exército e moradores em confronto |
Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.
Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.
De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
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