18/06 - 02:32, atualizada às 09:52 18/06 - Agência Estado
RIO DE JANEIRO - Os depoimentos de 8 dos 11 militares acusados do crime apontam para o tenente Vinícius Ghidetti como único responsável pela operação. Mesmo depois de ter recebido a ordem de um capitão para liberar os rapazes, Ghidetti teria decidido dar um “corretivo” nos jovens. “Tô cagando para o capitão”, teria dito o oficial, segundo os praças que prestaram depoimento na terça-feira
Os oito militares foram ouvidos entre 13h e 21h30 de terça-feira. O delegado Ricardo Dominguez ouviu os acusados para determinar a participação de cada um no episódio. Ele definiria ainda quais seriam indiciados por seqüestro ou por homicídio triplamente qualificado.
Os 11 militares estão detidos no 1º Batalhão desde domingo, quando a Justiça determinou a prisão temporária do grupo por dez dias.
Pela manhã, Dominguez havia dito que pretendia pedir a quebra do sigilo telefônico do tenente por suspeitar que o oficial teria feito contato prévio com traficantes da Mineira, antes de levar os rapazes para o morro.
O advogado Walmar Flávio de Jesus, que defende um sargento e três soldados, disse que todos negaram esse telefonema. “Eles estavam apenas obedecendo ordens de seu superior. Foram informados de que deixariam os jovens no Sambódromo e acabaram cercados no Morro da Providência.”
Os depoimentos divergem quanto à participação do sargento Leandro Maia Bueno. Houve quem dissesse que ele foi pego de surpresa e outros que acompanhou o tenente na ação.
Exército não está apto, diz ministro
Para o Ministro da Justiça, Tarso Genro, as Forças Armadas não estão aptas para tratar da segurança pública nas cidades. "Isto [a morte dos rapazes] comprova uma visão que é do presidente, de que as Forças Armadas não estão aptas para tratar da segurança pública", afirmou Tarso.
Ele ressaltou ainda que o ocorrido é absolutamente lamentável. "Este fato é altamente negativo e as Forças Armadas vão tomar todas as providências para punir estes responsáveis".
Após reunião com líderes comunitários do Morro da Providência, o Exército informou que vai reduzir o número de militares responsáveis pela segurança das obras do projeto Cimento Social, do Ministério das Cidades.
| Agência Estado |
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| General se desculpa por morte de garotos |
O anúncio foi feito pelo comandante da 9ª Brigada de Infantaria, general Mauro Cesar Cid - que pediu desculpas às famílias dos jovens assassinados por traficantes do Morro da Mineira, na zona norte.
O caso
| AE/Marcos DPaula |
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| Policiais do Exército e moradores em confronto |
Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.
Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.
Na segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.
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