18/06 - 15:57, atualizada às 19:56 18/06 - Juliana Simon, do Último Segundo
SÃO PAULO - A mãe da menina Isabella, Ana Carolina Oliveira, afirmou à Justiça que Alexandre Nardoni era um pai ausente. Nesta quarta-feira, Ana foi a primeira testemunha a prestar depoimento ao juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri da capital, no Fórum de Santana. Estavam presentes Alexandre e Anna Carolina Jatobá - acusados pela morte da menina no dia 29 de março. O depoimento da mãe de Isabella começou às 13h45 e terminou por volta das 16h00.
Ana Carolina afirmou que tinha dificuldades para encontrar o pai de Isabella quando precisava falar sobre a filha. Segundo ela, toda vez que precisava resolver algo relacionado à Isabella, tinha de conversar com o pai de Alexandre, Antônio Nardoni.
Como testemunha da acusação, Ana voltou a relatar uma suposta ameaça de morte feita por Alexandre à sua mãe, Rosa Maria Cunha de Oliveira, quando a menina foi colocada em uma escola infantil, o que teria contrariado o pai.
Ana Carolina Oliveira afirma que a mãe de Alexandre costumava lhe relatar cenas de ciúmes de Anna Jatobá, que teria insistido em saber detalhes do relacionamento anterior do marido. Para a mãe de Isabella, Alexandre Nardoni a traiu com Anna Jatobá.
Alexandre e Anna Jatobá acompanharam o depoimento. Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo, o casal cochichou entre si e com os advogados enquanto a mãe de Isabella falava.
Ana Carolina também afirmou que a família de Alexandre Nardoni temia deixar a criança sozinha com Anna Jatobá. Ela disse que mantinha "pouco contato" com a madrasta, mas lembrou episódios de ciúme da mulher de Alexandre. A mãe de Isabella ainda disse que Alexandre, em vários momentos, demonstrou descontrole e foi violento.
Outras 8 testemunhas devem ser ouvidas ainda nesta quarta. Alexandre e Anna Jatobá acompanham todos os depoimentos algemados sentados em frente ao juiz, Maurício Fossen.
Depoimentos
Nesta quarta também serão ouvidos os avós maternos, José Arcanjo de Oliveira e Rosa Maria Cunha de Oliveira. Eles fazem parte do grupo de 18 testemunhas de acusação, indicadas pelo Ministério Público, no processo sobre a morte de Isabella.
Além da mãe e dos avós maternos de Isabella, a Justiça deve ouvir, ainda nesta quarta-feira, Antonio Lucio Teixeira, Valdomiro da Silva Veloso, Geralda Afonson Fernandes, Robson Castro Santos e o casal que ouviu gritos de uma criança dizendo "pára, pai". Uma última testemunha ainda não teve seu nome divulgado.
Na terça-feira, foram ouvidas oito testemunhas e o promotor Francisco Cembranelli, que acompanha as investigações da morte de Isabella. Cembranelli afirmou que os depoimentos confirmaram tudo o que já havia sido obtido nas investigações feitas pela polícia com o auxílio do Ministério Público Estadual. Para o promotor, os depoimentos dos peritos e do médico legista foram os mais importantes, pois permitiram esclarecer questões pendentes, "principalmente perante a defesa do casal".
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