16/06 - 14:12, atualizada às 17:06 16/06 - Redação
RIO DE JANEIRO – O titular da 4ª DP (Praça da República), delegado Ricardo Dominguez, informou, nesta segunda-feira, que três dos 11 militares acusados de participação na morte de três jovens do Morro da Previdência, na Zona Portuária, confessaram que tinham a idéia de “dar um corretivo nos rapazes, largando-os no Morro da Mineira, dominado por uma facção rival do tráfico de drogas”. Os corpos das vítimas foram encontrados desfigurados e com marcas de tortura por garis em um lixão de Duque de Caxias.
De acordo com Rodriguez, um oficial, um sargento e um soldado do Exército confessaram, durante depoimento, que a ordem dada por um superior era a de “dar um susto” nos três jovens. “Eles apresentaram as suas versões. O ponto inegável é que o caminhão do Exército esteve no Morro da Mineira, por volta das 9h, o que chamou a atenção de muitos moradores, e os acusados não poderiam deixar de confirmar esses fatos”, disse.
O delegado alegou que os militares - sete soldados, três sargentos e um oficial - teriam se surpreendido com o resultado trágico da morte dos rapazes e informou que o prazo para o fim das investigações é de dez dias. “De acordo com os depoimentos dos acusados, esses jovens teriam desacatado o oficial e seus comandados, o que gerou uma confusão na parte alta do Morro da Previdência e eles teriam resistido à prisão”, contou.
O tenente do Comando Militar do Leste (CML), que estava na patrulha, teria então levado os três jovens à corporação. “Um oficial superior deu a ordem para que eles fossem liberados, mas a ordem foi negada e o tenente reuniu a tropa e perguntou qual a facção criminosa rival do Morro da Previdência. Algum dos comandados disse Morro da Mineira, no Catumbi, para onde os levaram”, relatou o delegado.
Ele alegou não acreditar na possibilidade levantada por testemunhas, de que os jovens teriam sido vendidos pelos militares por R$ 60 mil. “O que eu tenho são essas versões e as dos familiares, que viram eles sendo levados para o CML. Os militares disseram que os três jovens iam ser levados para a minha unidade (4ª DP), mas isso não aconteceu. Trata-se de um fato muito complicado e o pedido imediato de prisão temporária foi correto”, comentou.
Os corpos de Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, serão enterrados nesta segunda-feira, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul. A Polícia Militar reforça o policiamento no local para evitar protestos da população.
O Comando Militar do Leste (CML) informou, em nota oficial, que abriu inquérito para apurar o caso e confirmou que os jovens foram abordados por uma patrulha do Grupamento de Unidades-Escolas da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada na Praça Américo Brum, no alto do morro. Os militares estão presos administrativamente e aguardam decisão judicial. A Justiça decretou a prisão temporária dos acusados, por 30 dias, depois de solicitação feita pela Polícia Civil.
O caso
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.
Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.
Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.
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