07/06 - 12:39 - Felipe Leal, repórter Último Segundo
RIO DE JANEIRO - A comunidade médica em geral – como consta no Código Internacional de Doenças e na Associação de Psiquiatria dos Estados Unidos, por exemplo – trata a transexualidade como um transtorno mental, de identidade. A Organização Mundial de Saúde considera a transexualidade e o transgenerismo patologias mentais, classificando- os como "Transtornos de Identidade de Gênero" na classificação Internacional das Doenças (IC-10).
A classificação é defendida pelo professor de urologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador do Programa de Transtorno de Identidade de Gênero (Protig) do Hospital das Clínicas (HC) do Rio Grande do Sul, Walter Koff.
“Ser de um sexo e estar convencido de que é de outro é uma doença. E, por ser uma doença, deve ser tratada. Normalmente o transtorno é congênito e a única solução possível atualmente é a cirurgia, por enquanto não existe outro meio”, avaliou.
De acordo com ele, há mais de 200 transexuais cadastrados na lista de cirurgias de alteração de sexo do HC. Muitos não conseguiram realizar os dois anos de tratamento psicológico e cerca de dez devem ser operados nos próximos meses. A cirurgia mais comum e simples, segundo ele, é a da mudança de sexo em homens, que desejam ter o órgão sexual feminino.
Nesse caso, após o procedimento, os pacientes podem ter relações sexuais normais em até um mês. O método mais comum é o de retirada do pênis. A pele do órgão genital serve para a construção dos lábios vaginais e a pele da glande é utilizada na confecção do clitóris.
Quando é a mulher que passa a ter o órgão masculino, o procedimento pode durar até um ano. “Normalmente o pênis é construído usando a pele do antebraço do paciente”, explicou Koff. Inicialmente, são retiradas mamas, o útero, o ovário, a vagina interna e a vulva. Depois, é construído o pênis em uma prótese e o saco escrotal.
“Em geral, 80% de quem nos procura são homens interessados na mudança de sexo, pessoas com idades entre 17 e 20 anos. Para cada 15 homens, atendemos uma mulher que ganha um pênis”, apontou o professor, que coordena uma equipe de 14 profissionais.
Ele espera que a nova resolução do SUS não maximize o número de pacientes na lista de espera, mas considera uma universalização do tratamento. “É importante, há casos de pessoas que tentam automutilação e suicídio em decorrência do transtorno”, aponta.
A doutora em sociologia, antropóloga e pesquisadora associada do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), Berenice Bento, discorda da posição dele. “As pessoas transexuais têm que ser escutadas, ouvidas, respeitadas. Elas não são doentes, são pessoas que conseguem ter uma compreensão exata da dor que sentem”, defende.
Não há números oficiais – e nem mesmo estimativas – do número de pessoas que estão na lista de espera para a realização das cirurgias de mudança de sexo no Brasil. Estatísticas relativas a quantidade de transexuais já operados também não constam nos dados do Ministério da Saúde ou de entidades de classe.
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