06/06 - 10:20 - Redação
SÃO PAULO - O sargento Laci Marinho de Araújo, de 36 anos, preso na madrugada da última quarta-feira e acusado pelo crime militar de deserção, afirmou que um dos motivos de ser perseguido dentro do exército é seu sucesso em Brasília como cover da cantora Cássia Eller. O vídeo de seu show "Eu queria ser a Cássia Eller" caiu na internet e já foi visto por mais de 1100 pessoas. O vídeo mostra o sargento e sua banda em Brasília.
Laci passou a noite da quarta-feira, após ser preso, no Hospital-Geral do Exército, no Cambuci, zona sul de São Paulo. Ele recebeu permissão das Forças Armadas para ficar com seu companheiro.
Na quinta-feira, os dois sargentos deixaram a unidade médica em um helicóptero e desembarcaram em Brasília. Mas, ao chegar, Figueiredo disse que foi obrigado por dez homens armados com fuzis a se separar do companheiro. “Fiquei apavorado e me senti na década de 70 (época da ditadura militar). Algemaram o Laci, jogaram ele no chão, até o colocarem num Opala preto.” “É uma grande injustiça, porque o Exército nos garantiu, ainda em São Paulo, que eu poderia acompanhar o Laci o tempo todo e mesmo ao chegarmos a Brasília ele iria para um hospital comigo.”
De acordo com o advogado Francisco Lúcio França, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), foi preciso acionar a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. “Queremos um acompanhamento do caso.” Figueiredo foi informado ontem à noite que terá de solicitar à Justiça Militar uma liberação se quiser visitar o sargento internado.
Comissão
Na quinta-feira, Figueiredo procurou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que afirmou ter sido criada comissão para acompanhar o caso. Em visita ao hospital, onde o sargento está internado, Suplicy contou que Araújo aparenta estar muito tenso. O sargento afirma ter parado de servir o Exército por sofrer de esclerose múltipla. À noite, Figueiredo esteve na Conferência Nacional sobre Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, que teve a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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