05/06 - 20:28, atualizada às 05:47 06/06 - Redação com agências
BRASÍLIA - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou nesta quinta-feira que ainda este mês assinará uma portaria incluindo no Sistema Único de Saúde (SUS) as cirurgias de mudança de sexo. A informação foi dada por Temporão ao chegar para participar da 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, que teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ministro da Saúde afirmou que, como se trata de uma cirurgia complexa e delicada, será realizada, num primeiro momento, em centros de referência no Rio, São Paulo e Minas Gerais.
"A medida obedece a um princípio de humanização e atende a uma demanda social. A portaria será um passo a mais na consolidação desse caminho", afirmou.
Contra o preconceito
Ao abrir a conferência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou o preconceito contra os homossexuais e se solidarizou com o movimento.
"Quando se trata de preconceito, eu conheço nas minhas entranhas. Talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça de um ser humano", disse Lula.
Lula também defendeu o direito à livre orientação sexual das pessoas. “Ninguém pergunta a opção sexual de vocês quando vão pagar imposto de renda. Por que, então, discriminar na hora em que vocês livremente escolhem o que querem fazer com o corpo de vocês”, completou o presidente, arrancando aplausos da platéia em vários momentos.
Ao falar que já foi vítima de preconceito, Lula citou as críticas que sofreu quando usou boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em um evento. Na conferência de hoje, Lula posou para fotos com boné e bandeira do movimento GLBT.
“Vou colocar todos [bonés], porque somente assim vou quebrar preconceitos”, afirmou Lula, acrescentando que não é fácil para nenhum presidente da República participar de eventos “que envolvam um setor tão grande, tão heterogêneo e tão vítima de preconceito”. A tal ponto que ele foi questionado várias vezes, por assessores, se participaria ou não do evento.
Na conferência, Lula ouviu de representantes dos GLBT várias reivindicações. Entre elas, a da criação de uma secretaria que represente o movimento e o pedido de apoio ao projeto de lei que criminaliza a homofobia. O presidente afirmou que tentará atender os pedidos, mas não deu garantias.
“No que depender do apoio do Poder Executivo e dos ministros, iremos trabalhar para que o Confesso Nacional o que precisa aprovar neste país”, disse Lula.“Mas seremos honestos. Aquilo que não puder ser feito, a gente vai dizer: 'Isso aqui não dá, isso aqui não passa'”, disse, alertando que o movimento deve buscar a unidade.
(Com informações da Agência Estado e da Agência Brasil)
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