03/06 - 09:54 - Agência Estado
Entre o PT, do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o PSDB do governador de Minas, Aécio Neves, o PSB fica com o tucano. A Direção Nacional da legenda já decidiu bater o pé e não aceitar que o PT lhe imponha vetos na escolha dos partidos que participarão da aliança em torno da candidatura de Márcio Lacerda (PSB) a prefeito da capital mineira.
O presidente do PPS, Roberto Freire, reforçou o coro e fez ontem um apelo a Aécio para que não apóie informalmente o PT na eleição em Belo Horizonte.
A estratégia do PSB segue roteiro combinado com Pimentel para forçar a direção do PT a autorizar a coligação oficial com os tucanos. A cúpula petista, porém, percebeu a manobra e está furiosa com o prefeito. “Nós fizemos um acordo com Pimentel e acerto feito entre pessoas honradas não se descumpre”, afirmou o secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP).
Pelo acordo, o Diretório Nacional do PT despachou a “batata quente” para a seção municipal do partido com a recomendação para que os colegas voltassem a discutir a política de alianças em Belo Horizonte, “afastando a possibilidade de coligação com PSDB e PPS”. Para contornar a crise, porém, a cúpula petista não rotulou a censura como veto.
“Apoio branco é negócio para vagabundo e os vagabundos já estão com o governo”, atacou Roberto Freire. “Se Aécio cair na esparrela do PT, perderá a condição de ser líder nacional e até mesmo de Belo Horizonte.”
Intervenção
O que mais irritou ontem Aécio e o PSB foi a nota assinada pelo presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), insistindo em que a direção petista não revogou o veto à aliança com o PSDB. Berzoini escreveu que o tom mais leve da resolução foi apenas um “gesto de cordialidade e gentileza” para que o Diretório Municipal pudesse se “adequar” às decisões nacionais “sem a necessidade de medidas estatutárias”. Em outras palavras, de intervenção.
Embora Berzoini diga que seu partido “não tem apreço por alianças informais que não fiquem transparentes para os eleitores”, a situação é vantajosa para os petistas. Motivo: pesquisas indicam que qualquer candidato terá dificuldade em se eleger prefeito sem o aval de Aécio, que está de olho na Presidência, em 2010.
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