01/06 - 17:59 - Agência Brasil
Rio de Janeiro - A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou neste domingo nota oficial condenando a tortura sofrida por uma equipe de reportagem do jornal carioca O Dia, há cerca de 15 dias, supostamente praticada por milicianos. A polícia investiga o caso. Os profissionais produziam uma reportagem sobre o cotidiano de moradores de comunidades dominadas por grupos paramilitares. Segundo o presidente nacional da OAB, Cezar Britto, o caso "é um escândalo intolerável".
Ainda de acordo com a nota, "o Estado, por sua omissão, estimula a formação de grupos paramilitares, que pretendem combater o crime com métodos criminosos" e destaca que "a presença de policiais no comando dessas ações indica que é urgente e inadiável uma reforma estrutural no aparelho de segurança pública do Rio de Janeiro".
Na nota, Britto afirma que "o empenho em impedir o trabalho da imprensa" revela o temor que esses grupos têm de que a sociedade conheça os métodos por eles utilizados, sob o argumento de que prestariam assistência aos moradores. A OAB conclui a nota com a seguinte afirmação: "O Brasil precisa de Justiça, não de justiceiros".
Uma nota de repúdio também foi divulgada pelo Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro. Para a organização, "é inaceitável que o governo do Estado do Rio de Janeiro não consiga impedir a ação criminosa de seus próprios agentes, integrantes de máfias milicianas, que disputam com o tráfico de drogas o domínio das comunidades carentes". No texto, o episódio foi classificado como "um dos mais graves atentados à liberdade da informação no País desde o fim da ditadura militar".
(reportagem de Thais Leitão)
Publicidade
Violência policial deixou milhares de mortos no Brasil em 2007, denuncia AI
Músicos que tiveram pertences furtados prestam depoimento no Rio
Polícia encontra corpo de suposto traficante no morro Chapéu-Mangueira, no Rio
Sinopse da imprensa: ONU afirma que mortes por policiais no Rio são "execuções"