29/05 - 16:18, atualizada às 22:34 29/05 - Anderson Dezan, repórter do Último Segundo no Rio
RIO DE JANEIRO - O Ministério Público Federal (MPF) confirmou que Anthony Garotinho responderá por formação de quadrilha armada. Segundo o órgão, há indícios de que o ex-governador do Rio dava o respaldo político necessário para a manutenção da quadrilha, que agia dentro da Secretaria Estadual de Segurança Pública.
Segundo o MPF, sem a participação direta de Garotinho a quadrilha não se manteria dentro do governo. No entanto, os procuradores regionais da República informaram que não há provas de como Garotinho agia. Por isso, eles o denunciaram por formação de quadrilha. Se tivessem provas, ele também poderia ser denunciado por corrupção passiva.
| Divulgação |
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| Anthony Garotinho é denunciado |
Os procuradores regionais da República Maurício da Rocha Ribeiro,
| AE |
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| PF realiza busca em casa de Garotinho |
O deputado estadual e ex-chefe da Polícia Civil Álvaro Lins foi denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando e corrupção passiva. O ex-governador e ex-secretário de segurança pública Anthony Garotinho responderá por formação de quadrilha armada.
Garotinho foi denunciado pelo fato de garantir politicamente a manutenção do grupo do deputado estadual Álvaro Lins à frente da Polícia Civil.
Em seu blog pessoal, o ex-governador do Rio disse que ainda não recebeu um comunicado oficial. Ele afirma permanecer em sua casa com sua família e que não tem nada a temer, pois está com sua consciência tranqüila.
Álvaro Lins
O deputado foi preso em seu apartamento em Copacabana, zona Sul do Rio. Além dele, foram presos o sogro de Álvaro, Francis Bulos, e a esposa do deputado, Luciana Gouvêa dos Santos. Eles eram usados como “laranjas” no esquema de lavagem de dinheiro.
De acordo com o superintendente da PF, Jacinto Caetano, o apartamento foi obtido a partir de ilícitos recebidos enquanto o deputado estadual ocupava a chefia da Polícia Civil do Rio. Com imunidade parlamentar, Álvaro Lins não poderia ter a prisão preventiva decretada, mas, segundo a PF, a prisão dele foi possível porque havia um flagrante. As investigações mostraram que o deputado ocultava um patrimônio que era incompatível com o seu rendimento. Lins foi preso por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção passiva e facilitação ao contrabando. Ele foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá, no centro do Rio A Polícia Federal também fez uma busca nesta segunda-feira no gabinete de Álvaro Lins na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) com o conhecimento do presidente da casa, Jorge Picianni. Na busca, alguns documentos foram apreendidos, mas o conteúdo deles não foi divulgado. O superintendente da PF também confirmou o pedido de mais sete mandados de prisão, sendo que alguns já estão presos. Alcides Campos Sodré Ferreira, Mário Franklin Leite Mustrange de Carvalho, Fábio Menezes de Leão, conhecido como Fabinho, e Jorge Luiz Fernandes, o Jorginho, estão detidos. Hélio Machado da Conceição, o Helinho, Ricardo Hallak e Luís Carlos dos Santos ainda estão sendo procurados. Eles ainda não são considerados foragidos, pois ainda podem se entregar ou ser encontrados.
De acordo com o superintendente da Polícia Federal, Jacinto Caetano, a Operação Segurança Pública S/A, deflagrada nesta quinta-feira, teve início no ano passado a partir de dados gerados pela Operação Gladiador, realizada entre 2005 e 2006.
Com essas informações, a PF conseguiu identificar uma quadrilha que atuava no setor de Segurança Pública do Rio. Os integrantes davam cobertura a empresários, através de sonegação de impostos, e à máfia dos caça-níqueis e jogos de azar. Segundo as investigações, os envolvidos faziam parte do núcleo político e tinham influência no estado. O segundo na hierarquia tinha influência na polícia e o restante da quadrilha era formada por vários policiais.
Além disso, os agentes descobriram um esquema que nomeava titulares em delegacias do Rio mediante um pagamento mensal, que enriquecia os membros da quadrilha e financiava algumas campanhas eleitorais. As investigações mostraram que, de acordo com a importância da delegacia, a "mensalidade" era maior. De acordo com o Ministério Público Federal, o ex-governador Garotinho tinha grande influência na nomeação dos delegados que ajudavam o grupo.
Segundo o superintendente da PF, Rogério Andrade era um dos acobertados pela quadrilha. A ligação dele com Álvaro Lins foi comprovada durante a Operação Gladiador.
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