27/05 - 11:48 - Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - O corregedor da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), encaminha nesta terça-feira à mesa diretora da Casa uma representação contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, por quebra de decoro parlamentar. Inocêncio recomenda a perda do mandato do parlamentar, que é acusado de participar de uma quadrilha que desviou recursos do BNDES.
"Não temos a menor dúvida da culpabilidade. É um caso para perda de mandato. A situação dele é gravíssima, se tiver outra palavra mais forte que gravíssima deveríamos usar", disse.
Chegando à mesa diretora, a representação deve ser enviada para o Conselho de Ética da Câmara, que instaurará processo contra o deputado. Questionado sobre os últimos pedidos de cassação de parlamentares, que foram absolvidos em plenário, Inocêncio descartou a hipótese.
"Não há a menor possibilidade [de Paulinho ser absolvido em plenário]. É questão de honra para a Câmara. A opinião pública já o condenou, não será nós, representantes do povo, que vamos proteger", bradou.
Na representação, Inocêncio envia os relatórios da operação da Polícia Federal que investigou um grupo de pessoas acusado de irregulares no Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES). Manda também fitas do circuito interno da Câmara, mostrando que o lobista João Pedro de Moura, acusado de ser um dos mentores do esquema de desvio de recursos do banco foi pelo menos 40 vezes em seu gabinete.
"O Paulinho diz que o João Pedro não é seu assessor, mas ele foi mais de 40 vezes no gabinete dele. Tem pessoas ligadas ao João que receberam [recursos] da verba indenizatória do deputado. Ele tem participação, não temos a menor dúvida", disse.
O esquema de fraudes no banco foi descoberta na operação Santa Tereza da Polícia Federal. As investigações começaram pela casa de prostituição We, localizada no bairro da Bela Vista, em São Paulo. Nas interceptações telefônicas, autorizadas judicialmente, surgiu a informação de que a organização criminosa também atuava em um esquema de financiamentos fraudulentos no BNDES, utilizando-se de pessoas com influência política no banco.
Depoimentos
Após quase sete horas de duração, terminou nesta segunda-feira, por volta das 23h, o interrogatório de três acusados na operação Santa Tereza. Foram ouvidos João Pedro de Moura, Marcos Vieira Mantovani e José Carlos Guerreiro. A audiência foi realizada, a portas fechadas, pelo juiz federal substituto Márcio Ferro Catapani, da 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. O processo corre sob segredo de justiça.
O interrogatório de Celso de Jesus Murad, Washington Domingos Napolitano, Edson Luiz Napolitano, Wilson de Barros Consani Júnior, Ricardo Tosto de Oliveira Carvalho e Boris Bitelman Timoner, está marcado para a próxima sexta-feira, às 12h30.
(com informações da redação do iG)
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