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Perito diz que não houve esganadura antes da queda de Isabella Nardoni

26/05 - 15:50, atualizada às 21:26 26/05 - Luciana Fracchetta, do Último Segundo

SÃO PAULO - O médico-legista e vereador alagoano George Sanguinetti (PV) voltou a contestar os laudos periciais sobre a morte de Isabella Nardoni, que teria sido jogada do 6º andar do Edifício London, na zona norte de São Paulo, no dia 29 de março. Sanguinetti foi contratado pela defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que são acusados pela polícia como suspeitos do crime, para analisar os laudos.

 

 

Sanguinetti afirma que não houve esganadura e Isabella não foi asfixiada antes de cair do prédio. "Não existe asfixia mecânica por esganadura sem deixar marcas externas, sem escoriações. E o corpo da menina não apresentava nenhuma lesão no pescoço", disse. No inquérito policial, a delegada Renata Pontes relata que a menina teria sofrido asfixia por esganadura, que pode ter sido realizada pela madrasta Anna Jatobá.  

Para Sanguinetti, a morte de Isabella foi ocasionada por "politraumatismo", em função da queda. Ele descartou ainda que vai pedir necrópsia do corpo da menina.

Durante a entrevista, o legista fez duras críticas ao trabalho da polícia e dos peritos criminais. Segundo ele, as análises apresentam diversas falhas e não servem para incriminar o casal. "O trabalho da perícia de São Paulo é medíocre, nulo. Laudos falhos não possuem valor", disse.

Também contratada pela defesa do casal, a perita criminal e advogada Delma Gama afirmou que a Isabella foi lançada de cabeça para baixo pela tela da janela. De acordo com suas análises, as marcas deixadas na parede do edifício foram feitas por uma das pernas da menina, e não pelas mãos.

Irmão de 3 anos não vai depor

O promotor Francisco Cembranelli descartou, nesta segunda-feira, convocar o irmão de 3 anos de Isabella Nardoni para depor no processo que apura o assassinato da criança. A decisão foi uma resposta a um ofício do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), do início do mês, defendendo que a o menino não fosse interrogada.

Segundo a polícia, o irmão de Isabella presenciou a morte da irmã, que foi asfixiada e jogada do 6º andar do Edifício London, n zona Norte da capital. O pai e a madrasta dela, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pais do garoto, são acusados pela morte.

Cembranelli afirma que desde o início do caso que é contra o depoimento da criança e continua sem ver motivos para convocá-lo. "Pelo fato de conhecer bem o processo e saber que a prova se mostrava bastante consistente no sentido de incriminar o pai e a madrasta, não havia mesmo razões para adoção de medida tão drástica", informou no documento. "Já com a ação penal iniciada, continuo com minha opinião inicial", afirmou.

A presidente do Conanda, Maria Luiza Moura Oliveira, comemorou a decisão de Cembranelli. "A resposta oficializa a posição da Justiça frente ao depoimento e sela um compromisso pela proteção da criança", disse.

Para o conselheiro do Conanda Ariel de Castro Alves, encarregado do ofício, o depoimento do garoto seria traumatizante. "Houve bom senso", afirmou. "O menino já foi atingido por ter possivelmente presenciado a morte da irmã e está sofrendo com a crise da família. Depor seria uma dupla vitimização", acredita.

No dia 8, o Conanda protocolou o ofício com o pedido para que o menino não fosse ouvido pela Justiça sobre a morte de Isabella. Os conselheiros argumentavam que o depoimento poderia agravar o trauma sofrido pela perda da irmã. Eles diziam ainda que testemunhas menores de 14 anos não prestam compromisso e, por isso, não são obrigadas a depor.

O ofício informava ainda que o "depoimento sem dano" só é usado no Brasil para questionar vítimas de crimes, não testemunhas. Pelo método, implantado no Rio Grande do Sul, uma assistente social ou psicóloga conversa com a criança em meio a brincadeiras e o juiz acompanha o depoimento por videoconferência.

A situação física e psicológica do menino e de seu irmão, de 1 ano, é acompanhada pela Promotoria da Infância e da Juventude de Guarulhos desde o dia 15.

A decisão de acompanhá-las foi tomada a partir de um relatório do Conselho Tutelar da cidade, que visitou as crianças e constatou que ela foram atingidas pela morte da irmã e pela crise na família.

Os meninos estão sob os cuidados de seus avós paternos desde que Alexandre e Anna Carolina foram presos preventivamente, no dia 8 de maio.

AE
Anna e Alexandre quando foram presos no dia 7
Anna carolina Trota Jatobá está detida na Penitenciária Feminina de Tremembé. O seu marido, Alexandre Nardoni, encontra-se na Penitenciária José Augusto César Salgado, no mesmo município, na região do Vale do Paraíba.

Na quarta-feira, o casal será interrogado pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri, o mesmo que aceitou a prisão preventiva do casal.

STJ julga habeas-corpus

O ministro Napoleão Nunes Maia Filho julgará nesta terça-feira, 27, o habeas-corpus apresentado no dia 16 por Alexandre e Anna Carolina no Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

O caso

Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese da criança ter caído da janela do 6° andar por acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada do apartamento por alguém.

Nardoni e Anna Jatobá respondem a uma ação na Justiça pela morte da menina.

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