25/05 - 20:12, atualizada às 10:54 26/05 - Ana Freitas, repórter do Último Segundo
SÃO PAULO - No ano em que será realizada a 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBTT) do Brasil, a Parada do Orgulho Gay de São Paulo, que ocorreu neste domingo, esboçou pela primeira vez um tom político. Com o tema “Homofobia mata! Por um estado laico de fato”, a organização do evento tentou chamar a atenção do público para a necessidade da aprovação de projetos de lei que garantam a igualdade de direitos para os homossexuais.
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| Marta Suplicy esteve presente em trio elétrico |
Relatora do projeto, a senadora Fátima Cleide (PT-RO) esteve presente em um dos carros da parada, assim como a deputada Cida Diogo (PT-RJ), que coordenadora a Frente Parlamentar pela Cidadania GLBTT, e a ministra do Turismo, Marta Suplicy, que é autora de um projeto de lei que tramita há 13 anos para regulamentar a união entre pessoas do mesmo sexo.
Entre a multidão que acompanhou o evento neste domingo, estimada em 5 milhões de pessoas pela organização, cartazes pregavam a tolerância por parte de evangélicos para a diversidade sexual. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”, dizia um deles, citando um trecho bíblico. Outro clamava pelo apoio contra o preconceito, “o amor não é pecado. Lute contra a Homofobia religiosa", dizia.
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| Muitos passaram mal por excesso de bebida |
Apesar dos slogans e da tentativa de politizar a parada, o estilo
Nos leitos montados na altura do Parque Trianon, desde as 10h da manhã os médicos e enfermeiros já socorriam pessoas que tinham exagerado no consumo de bebidas alcoólicas. O estoque de soro, glicose e medição foi renovado no início da tarde para dar conta do fluxo de gente.
Desfile
Pouco antes das 13h, uma multidão se aglomerava na altura do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Em coro, foi feita uma contagem regressiva e cantado o hino nacional. Começava ali o desfile de 22 trios elétricos que, depois de duas horas, preenchiam as duas avenidas, num percurso de cerca de 3,5 km.
No primeiro carro, o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays e Transexuais (ABLGT), Toni Reis, lembrou o público que, apesar de o País abrigar a maior parada gay do mundo, mais de 2.800 homossexuais foram mortos no Brasil nos últimos 20 anos. "Nós queremos que todos sejam tratados de forma igual perante a lei", clamou.
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| Participantes capricharam na fantasia |
Nos trios, convidados famosos como o apresentador Leão Lobo, as drag queens Leo Áquila e Salete Campari e o transformista Miss Biá acenavam para o público, que respondia empolgado. No chão, quem chamou muita atenção foi o travesti Andréa Albertino, que se envolveu em confusão com o jogador Ronaldo, no Rio de Janeiro.
Apenas o último trio não desfilou com caráter festivo. Vazio e coberto apenas por um pano branco, ele lembrava as vítimas da AIDS e da homofobia no Brasil. “O trio é dedicado a todos que não puderam estar aqui com a gente hoje, por isto está vazio, vazio de suas presenças”, disse Toni Reis.
Investimento
Um milhão de reais foi investido na 12ª edição da Parada do Orgulho Gay deste ano, segundo o secretário municipal de Participação e Parceria, José Ricardo Franco Montoro (PSDB). Deste total, a prefeitura de São Paulo cedeu R$ 450 mil, tornando-se a maior patrocinadora do evento.
Segundo a SPTuris, empresa municipal para promoção de turismo em São Paulo, a Parada Gay deve movimentar este ano R$ 189 milhões na cidade. O evento perderia apenas para a Fórmula 1 em São Paulo em termos financeiros.
| Futura Press |
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| O prefeito Kassab esteve no evento |
A expectativa da SPTuris é que a Parada Gay deste ano deva gerar ou manter por um ano uma média de 13,5 mil empregos diretos e indiretos, e mobilizar 52 setores da economia. De acordo com o órgão, o segmento hoteleiro da região da avenida Paulista tem cerca de 85% de ocupação desde o início da semana. Em abril, a taxa mensal no município já ficou em 70%, um recorde para o mês.
Segurança
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| Público foi estimado em 5 milhões |
Camilo destacou que a PM tem mostrado que trabalha bem com o público GLS em outras situações, e que os dois principais problemas costumam ser a ingestão exagerada de bebida alcoólica e pequenos furtos, cometidos por infratores que se aproveitam da ocasião. "A parada é um evento tranqüilo, o público que freqüenta, em sua maioria, não traz problema", analisou.
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