20/05 - 19:28, atualizada às 19:38 20/05 - Rodrigo Ledo e Severino Motta, do Último Segundo
BRASÍLIA - A sessão de depoimentos desta terça-feira na CPI mista dos cartões corporativos foi marcada por poucos esclarecimentos e muitas contradições, além da iminência de uma acareação do ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Pires, com o assessor do deputado Álvaro Dias (PSDB-PR), André Fernandes. Enquanto Aparecido disse que enviou um e-mail por “falha humana” a Fernandes com o suposto dossiê sobre gastos do governo Fernando Henrique, o assessor parlamentar negou toda a versão do ex-amigo e disse ter novas denúncias contra o governo.
O depoimento de José Aparecido não chegou ao fim, porque foi interrompido pelas votações em Plenário da Câmara dos Deputados e Senado, e será retomada nesta quarta-feira às 9h. Ao todo, a sessão da CPI dos cartões desta terça durou cerca de nove horas, ao longo das quais os parlamentares só se atreveram a dizer que um dos dois ou ambos os depoente mentiam, mas ninguém saiu declarando ter esclarecido o episódio da confecção e vazamento do suposto dossiê.
“Não sinto honestidade e sinceridade em nenhuma das partes e prefiro esperar o laudo da PF [sobre o inquérito do dossiê]”, resumiu o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), mesmo sendo um oposicionista ferrenho.
Contradições do assessor parlamentar
| Agência Brasil |
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| Assessor parlamentar deixou contradições |
Até o momento da pressão, a estratégia de André Fernandes era sustentar que havia recebido do ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Pires, sem nenhum pedido anterior. Além disso, Fernandes afirmou que havia interpretado como “intimidação” o e-mail.
Ele narrou um almoço que teve em março no Clube Naval, em Brasília, com José Aparecido e mais duas pessoas, oportunidade em que Aparecido teria culpado Erenice Guerra, braço direito da ministra Dilma Rousseff, como responsável pela elaboração do dossiê.
"Falha humana"
Após o depoimento de Fernandes, José Aparecido negou vários pontos do depoimento do "ex-amigo". Aparecido disse que o envio do dossiê sobre gastos do governo Fernando Henrique de seu computador para o de André ocorreu por “falha humana” e acrescentou que nunca culpou Erenice Guerra, braço direito da ministra Dilma Rousseff, pela confecção do material.
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As principais divergências foram a intenção de mandar o e-mail com a planilha de gastos tucanos e supostas declarações sobre a culpa de Erenice Guerra, conforme André Fernandes contou aos membros da CPI.
Mais denúncias contra o governo
Após o depoimento do ex-secretário da Casa Civil, André Fernandes recebeu jornalistas em gabinete ao lado do plenário da CPI e destacou que o depoimento de José Aparecido foi recheado de mentiras, porque estava amparado num habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e porque o ex-amigo é muito comprometido com o governo e o PT.
O assessor de Álvaro Dias afirmou ainda que não quer realizar uma acareação com Aparecido e disparou contra o governo, dizendo que tem novas denúncias, sem revelar quais seriam.
“São fatos que não tinham relação direta com os fatos apresentados [à PF e à CPI]. Eu queria colocar para o conhecimento de parlamentares e não me deram chance”, disse, para depois acrescentar que só poderia falar em sessão secreta porque “podia ser fofoca do Aparecido, podia denegrir imagem, isso me constrange”. André Fernandes disse que falará sobre isso “quando Aparecido falar a verdade”.
Sobre a possibilidade de uma acareação na CPI com o ex-amigo, André Fernandes se mostrou contrário. “Acho desnecessário, desgastante e inútil. Ele está como indiciado e tem um habeas corpus, enquanto eu sou obrigado a falar a verdade”, justificou.
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