20/05 - 20:28, atualizada às 21:14 20/05 - Reuters
CUIABÁ - O ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, desaprovou nesta terça-feira a proposta de militarização da Amazônia como saída para combater o desmatamento e propôs a criação de uma rede de indústrias para viabilizar economicamente a região. A declaração foi dada após reunião com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi para tratar de ações do PAS no Estado.
| Agência Brasil |
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| Mangabeira descarta Exército na Amazônia |
Mangabeira destacou como iniciativa do PAS uma rede de indústrias em toda a Amazônia, ao lado de grandes cidades, 'que transforme produtos florestais, madeireiros e não madeireiros; que fabrique tecnologia apropriada ao manejo sustentável de uma floresta tropical, e também transforme produtos minerais e agropecuários', disse.
'Estamos conscientes da necessidade de incentivos para a instalação de empresas florestais e para a agregação de valor nas indústrias agropecuárias e minerais', acrescentou.
As outras iniciativas são a regularização fundiária, o zoneamento ecológico e econômico da Amazônia, a construção de uma agricultura moderna e democratizada e a formação de recursos humanos para um novo modelo do ensino médio, hoje 'fraco', que combine capacitação técnica e profissionalizante.
'Sem projetos econômicos não haverá estruturas produtivas e sociais organizadas. E uma vasta região sem essas estruturas, é difícil de se defender', afirmou a jornalistas em Cuiabá.
Força Ambiental
O ministro acha que colocar o Exército na defesa de reservas não resolve as questões ambientais e econômicas.
'Jamais podemos imaginar que resolveremos problemas militarizando a Amazônia', disse sobre o trabalho do Exército.
O novo ministro indicado para assumir o Meio Ambiente, Carlos Minc, havia sugerido o uso da Forças Armadas em parques e reservas na Amazônia, mas em encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na segunda-feira, apresentou uma nova proposta. O ex-secretário do Ambiente do Rio sugeriu a formação de uma Guarda Nacional Ambiental.
Segundo Mangabeira, o Brasil necessita da reafirmar sua soberania sobre a Amazônia de forma inequívoca'.
'Há sempre um risco enquanto o espaço econômico e social da Amazônia permanecer relativamente vazio', disse. 'Quem cuida da Amazônia é o Brasil', afirmou.
O governador de Mato Grosso, grande produtor de soja, endossa a idéia de fiscalização da região por meio de maior presença do Estado.
Maggi comentou ser favorável à uma Guarda Nacional Ambiental, como propôs Minc, mas descartou ceder contingente para compor a nova força de fiscalização.
'Pode criar, mas não conte com a polícia de Mato Grosso. Eu não vou ceder policiais. Não temos polícia para cuidar da floresta'.
A força proposta por Minc seria nos moldes da Força Nacional de Segurança (FNS), que reúne policiais de diversos Estados.
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Para Minc, quem questiona soberania da Amazônia deve passar por "qualificações psicológicas"