15/05 - 18:22, atualizada às 21:16 15/05 - Rodrigo Ledo – Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - O diretório estadual do PT em Minas Gerais aprovou, pelo placar apertado de 29 votos a 26 contrários, a aliança do partido com o PSDB na eleição para prefeito de Belo Horizonte. Com o resultado, os petistas de BH, liderados pelo prefeito Fernando Pimentel, aumentam a pressão sobre a executiva nacional do PT, que há três semanas vetou a aliança e voltará a apreciar o caso no dia 26.
Antes da votação, o presidente do diretório estadual, deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), já adiantava que a tendência era pela aprovação por placar apertado. Ele foi um dos petistas mineiros que apresentaram clara mudança de postura desde a decisão contrária da executiva nacional, elogiando a “humildade” do prefeito Fernando Pimentel em trabalhar apenas nos bastidores para convencer a cúpula do partido a voltar atrás.
Mas boa parte da executiva nacional não quer nem ouvir falar em recuo, preocupados com a “tese” divulgada nacionalmente de que a aliança significa uma aproximação com o PSDB do governador Aécio Neves – principal “padrinho” da coligação e interessado na aglutinação de forças para eventualmente disputar a Presidência da República em 2010.
O secretário de Comunicação do PT, Gleber Naime, membro da executiva nacional, argumentou que a decisão do diretório estadual, longe de pressionar pela derrubada do veto à aliança, representa um partido “rachado” ao meio em Minas Gerais.
“Se houve 26 votos contra e três abstenções, isso significa que 29 não queriam a aliança com o PSDB. Nessa situação, com o partido dividido ao meio, cabe à direção nacional reunificar o partido em Minas”, alegou Naime, acrescentando que a executiva e o diretório nacionais “têm mais autonomia para defender o PT de ingerências externas”.
“Minha opinião é que temos de preservar o partido em Minas da ingerência do governador Aécio Neves”, concluiu o secretário, favorável ao veto.
Mas opinião oposta foi apresentada pela líder do PT no Senado, senadora Ideli Salvatti (SC), outra integrante da executiva nacional. Ela não se diz contra nem a favor da aliança, mas critica o próprio PT pela polêmica, principalmente os cardeais mineiros do partido contrários à coligação – como o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o secretário-geral da Presidência da República, Luiz Dulci.
“Cometemos um grande erro que foi não ter um candidato de peso, e como isso não se construiu, abrimos espaço para esse tipo de aliança. Quem abriu espaço foi o próprio PT, e não é por falta de nomes”, observou.
A deputada federal Maria do Carmo Lara (PT-MG), integrante da executiva nacional, lamentou o racha no diretório estadual e limitou-se a dizer que a questão exigirá calma e análise profunda.
“O PSDB vem e racha o PT, e isso é muito ruim para o partido. Acho que a direção nacional vai ter que analisar com profundidade o resultado dessa votação”, desconversou.
Em São Paulo
O PTB fechou nesta quinta-feira aliança com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), que disputa a sucessão à Prefeitura da capital paulista. O acordo foi selado por Alckmin e pelo presidente estadual e secretário nacional do PTB, deputado Campos Machado, em reunião na casa do ex-governador paulista.
A aliança também vai garantir ao tucano o apoio do PSDC, de José Maria Emayel, que já havia firmado acordo com Campos Machado. Com esses acordos, Alckmin garante cerca de 5 minutos na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV.
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