14/05 - 11:47 - Carollina Andrade e Regina Bandeira/Santafé Idéia
BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou nesta quarta-feira que a saída de Marina Silva do governo não enfraquece o ministério. Segundo ele, o novo nome deve ser anunciado ainda hoje. “Estão sendo cogitados nomes do mais alto gabarito. Seguramente eles [o governo] vão encaminhar isso hoje”, disse. O governo estuda os nomes do ex-governador do Acre, Jorge Viana, e do atual secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, que descartou "em princípio" que possa aceitar o cargo.
Genro ponderou ainda que Marina, “por ser capaz e extraordinária nacionalmente e internacionalmente”, fará falta em qualquer governo. Porém, para Tarso, a missão de qualquer ministro é compatibililzar a questão ambientalista com a desenvolvimentista. “Ela [Marina] achou que não era a pessoa mais adequada para continuar fazendo este trabalho, mas será bem substituída por um destes nomes”, destacou.
O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que o governo já tem nome para Ministério do Meio Ambiente. A assessoria do Palácio do Planalto não confirma a informação e afirma que Lula pretende falar com Carlos Minc antes de tomar decisão.
Nesta manhã, o ex-governador do Acre, Jorge Viana, esteve reunido com o presidente Lula. Ontem, o irmão do ex-governador, o senador Tião Viana (PT-AC), em entrevista a TV Globo, confirmou a sondagem por parte do Planalto. "Jorge Viana também foi sondado por setores do governo, é um nome respeitável, grande autoridade na área do meio ambiente, mas seguramente saberá entender este momento e tratará dessa questão de maneira restrita e reservada".
O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), considerou Jorge Viana (PT) um bom nome para assumir a pasta. "Ele daria mais sustentação política ao governo, porque é um nome da região", disse.
Carlos Minc o primeiro a ser cogitado para o cargo, negou que tenha sido procurado pelo Palácio do Planalto. "Não conversei com o Lula, não conversei com a Marina. E com o Sérgio Cabral (governador do Rio), eu disse para ele que a Marina tinha pedido demissão e a única coisa que ele falou foi que 'o Lula vai me ligar e você promete, de pés juntos, que você não vai para Brasília'. E eu prometi, de pé juntos, que não vou a Brasília", disse Minc, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, assim que chegou a Paris.
Jorge Viana
| ABr |
![]() |
| Viana também foi sondado |
|
|
Em 1992 Jorge Viana foi eleito prefeito de Rio Branco, capital do Acre. Sua administração é escolhida pela Fundação Getúlio Vargas para receber o prêmio de Gestão Pública e Cidadania, pelo Programa de Assentamento de Pólos Agroflorestais.
O petista foi governador do Estado do Acre duas vezes pelo partido. Foi eleito para o primeiro mandato em 1998 e reeleito em 2002 para o mandato que se iniciou em janeiro de 2003. Viana permaneceu no cargo até janeiro de 2007.
Saída de Marina Silva
A titular da pasta do Meio Ambiente, Marina Silva, pediu demissão na manhã desta terça-feira. De acordo com a assessoria do ministério, em caráter irrevogável. Ainda não foram divulgados os motivos do decisão da ministra.
Um ex-assessor da Marina, que não quis se identificar, porém, afirmou que o fato mais recente na lista de insatisfações da ministra foi a nomeação de Roberto Mangabeira Unger, ministro de Assuntos Estratégicos, para coordenador do Plano Amazônia Sustentável (PAS).
| ABr/Valter Campanato |
![]() |
| Lula encontrou Cabral nesta segunda no Rio |
"A Marina é uma militante muito rígida e muito pura. Tenho certeza de que teve um motivo justo para sair", declarou Sibá Machado, destacando não saber, porém, o que teria levado a ministra a pedir demissão.
Marina assumiu o cargo em 2003, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela vinha entrando em conflito com posturas do governo referentes a políticas de preservação do meio ambiente. Entre os choques, está o controle do desmatamento na Amazônia.
No início do ano, Marina chegou a apontar a produção agropecuária brasileira como responsável pelo aumento no desmatamento da floresta amazônica. A avaliação conflitou com o posicionamento do Ministério da Agricultura.
Marina era considerada um entrave ao crescimento econômico por parte de empresários e até mesmo de colegas do governo, uma vez que em sua gestão aumentou o rigor sobre a exploração da Amazônia.
(com informações da Agência Estado e da Agência Brasil)
Opinião:
Leia também:
Leia mais sobre: Marina Silva
Publicidade