13/05 - 10:49 - Redação
SÃO PAULO - O desembargador Caio Canguçu de Almeida, da 4º Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, negou, nesta terça-feira, o pedido de habeas-corpus para o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados pela Justiça de terem matado a menina Isabella Nardoni, de 5 anos, no último dia 29 de março. Desta forma, o casal, que está detido desde a última quarta-feira, 7, continuará preso.
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| Alexandre e Anna vão continuar presos |
A decisão tem caráter liminar. O julgamento do mérito deve acontecer em uma reunião de Caio Canguçu de Almeida com os desembargadores Luiz Soares Melo e Euvaldo Chaib, ambos da 4º Vara Criminal do Estado de São Paulo. Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça, a decisão pode entrar na pauta de votação da Câmara já na próxima terça-feira.
O advogado Marco Polo Levorin, um dos defensores de Alexandre Nardoni e Anna Jatobá, afirmou que o habeas-corpus está bem fundamentado e estruturado e que a defesa acredita que ele deve ser aceito em um novo julgamento da Câmara do Tribunal de Justiça (TJ). "A primeira decisão foi liminar. Agora, o debate é na Câmara do TJ", disse. Ele se reuniu com os advogados Rogério Neres e Ricardo Martins para analisar a decisão de Canguçu.
Os advogados estudam, também, impetrar um novo habeas-corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.
Problemas na cadeia
Desde sexta-feira passada, Alexandre Nardoni está em uma cela de 3 metros isolado dos demais presos no 13º Distrito Policial da Casa Verde, na zona norte da capital. O pedido de transferência foi feito pela própria polícia por medida de segurança.
Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o pai de Isabella sofreu ameaças por parte de outros presos, que não querem a presença dele no local. Alexandre não sai da cela nem para tomar banho de sol.
A secretaria informou que ele deve ser transferido, mas ainda não há data certa, já que é preciso abrir uma vaga no sistema prisional para presos com curso superior, como é o seu caso.
O advogado Antônio Nardoni, pai de Alexandre, assegurou que o filho não está com medo dos outros detentos e que o isolamento não teria nada a ver com ameaças que ele teria recebido na cadeia, mas disse que a medida foi tomada por causa da repercussão e da grande comoção que envolve o caso.
Anna Carolina é ameaçada e transferida
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| Detentas protestam com a chegada de Anna |
No mesmo presídio cumpre pena Suzane Richthofen, condenada pela morte dos pais. Anna Carolina ocupa uma cela individual separada das outras presas. O governo avaliou que havia risco para o Estado e para Anna Carolina se ela fosse mantida na capital.
A chegada de Anna Carolina a Santana, às 11h de quinta-feira, foi marcada por tumulto e protestos. Ela foi levada até o local algemada, no compartimento de presos de uma viatura do Grupo de Operações Especiais (GOE). Assim que a madrasta de Isabella Nardoni pisou no prédio da administração da unidade, as detentas bateram nas grades e gritaram: “assassina, assassina.”
As presas não queriam Anna Carolina nem no seguro (isolamento), onde ficam as detentas juradas de morte. Por isso, a unidade reservou para ela uma sala no prédio da administração, perto do gabinete do diretor-geral, Maurício Guarnieri, longe das outras presas. Segundo elas, nessa sala já ficaram Kelly Samara, a “bonequinha de luxo”, acusada de aplicar golpes nos Jardins, e a mulher do megatraficante Juan Carlos Abadía. A sala foi pintada especialmente para receber Anna Carolina. No local há banheiro com bacia de louça (não de cimento) e chuveiro quente.
Homicídio triplamente qualificado
Reprodução 
Isabella em foto de arquivo
Alexandre e Anna Carolina são acusados de homicídio triplamente
Pela alteração da cena do crime (a tentativa de apagar as manchas de sangue), a pena varia de seis a quatro anos de detenção. Se isso ocorrer Alexandre poderá, ainda, pegar uma condenação de seis meses a um ano, a mais que a mulher, por ser pai da vítima.
O caso
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.
No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese da criança ter caído da janela do 6° andar por acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada do apartamento por alguém.
O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.
O pai alegou à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".
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