11/05/2008 - 08:39 - Carolina Garcia, do Último Segundo
SÃO PAULO – Nos últimos cinco anos, a procura pela Fertilização in Vitro (FIV), popularmente conhecida como “bebê de proveta”, cresceu cerca de 50%. Atualmente um em cada cinco casais sofre de infertilidade no Brasil, explica a Dr. Silvana Chedid, especialista em reprodução humana e diretora da Clínica Chedid Grieco.
Com isso, o sonho de ser mãe custa caro para algumas mulheres, que ao se depararem com a dificuldade de gerar um filho utilizam a tecnologia para viver a sua maior realização – a maternidade.
De acordo com o Dr. Luis Eduardo Albuquerque, há 18 anos especialista em reprodução humana e diretor do Centro de Reprodução Humana Fertivitro, “a mulher possui uma vida reprodutiva relativamente curta, que varia de 35 a 37 anos”. Portanto, quanto mais avançada a idade, menor a chance de engravidar.
“Um casal tem 80% de chance de conseguir um filho pelo ciclo normal da mulher. Dos outros 20%, 95% podem ser inférteis. Antes de procurar um médico, o casal deve tentar pelo modo natural sem métodos contraceptivos e com relações sexuais freqüentes (2 a 3 vezes por semana) durante um ano. Após este prazo, deve procurar um especialista”, afirmou Albuquerque.
Assim aconteceu com Heleni Oliveira, de 33 anos, e Jâmia Maria Melo, 49, que, por não conseguirem conceber de modo natural, procuraram por tratamentos de fertilidade. Ambas gastaram cerca de R$ 20 mil nos tratamentos, entre eles, a FIV.
Na terceira tentativa
| Arquivo pessoal |
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| Heleni com seu filho Lukas |
Heleni é casada há quatro anos e mora atualmente em Novai, no Estado de Michigan (EUA). Após um ano de casamento, ela e o marido, Sérgio Ricardo Oliveira, decidiram ter um filho. “Tentamos durante um ano. A princípio achei que o problema fosse a nossa idade”, afirmou. Porém, após realizarem exames de fertilidade, descobriram que Sérgio produzia uma quantidade baixa de espermatozóides. “Como a inseminação artificial é bem mais barata nos EUA, decidimos tentar. Ao todo fiz três inseminações, mas nenhuma deu resultado”, disse Heleni.
Em setembro de 2006, Heleni decidiu voltar para o Brasil para realizar a Fertilização na clínica indicada pela sua cunhada. “Meu marido só podia ficar no Brasil durante 15 dias, por isso ele teve que congelar o esperma e ir embora. Fiquei “sozinha” por três meses. Foi um período muito difícil, o emocional fica muito abalado, pois quando a gente vai pra clínica, encontramos várias mulheres chorando pelo fracasso das tentativas”.
Como Heleni não reagia aos hormônios, não ovulando o necessário, teve que repetir o tratamento três vezes. A última tentativa gerou dois óvulos, “o que seria extremamente fraco para uma possível fertilização”. “Algumas mulheres conseguiam gerar 15 óvulos e eu apenas com dois, mas mesmo assim não desisti. Pedi para o médico tentar só com aqueles dois”.
Foi quando Heleni começou a sentir cólica e mal-estar. Depois de 15 dias, decidiu fazer um exame de sangue em que foi comprovada a gravidez. “Fiquei muito emocionada, e o mais engraçado é que o meu vôo para os EUA estava marcado para o dia seguinte”. Ao retornar aos EUA se surpreendeu com a recepção calorosa do marido, com direito a faixas e roupas de bebê. “Foi lindo, decidimos fazer um encontro com vários amigos, que comemoraram comigo esta conquista“.
Com 20 semanas de gestação, Heleni descobriu que esperava um menino, o Lukas, agora com 8 meses. No final de todo o processo, Heleni calculou que gastou R$ 15 mil por todos os tratamentos, mas garante que se precisasse passaria por tudo novamente.
Após tantas tentativas, Heleni realizou o seu sonho e, neste domingo, passa o 1º Dia das Mães como uma mãe realizada. “Já se passaram oito meses e mesmo assim ainda choro. Às vezes, quando o Lukas está quase dormindo, reparo que sem querer começo a chorar. Não tem como descrever o sentimento de uma mãe”.
Mãe, aos 49 anos
| Arquivo pessoal |
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| Jâmia e seu filho João |
“Desde criança sonhava com uma família grande. Tenho quatro irmãos, por isso queria uma família igual pra mim, sempre sonhei com a idéia de ter quatro filhos”, afirma Jâmia. Até o nascimento de José Ângelo, Jâmia passou por um longo caminho. Ela e seu marido, José Altamir Aguiar, tentaram por quatro anos terem um filho, mas, sem sucesso, foram para uma clínica especializada. “Acho que o principal motivo da dificuldade de engravidar era a minha idade. Não tinha como, precisava de um auxílio médico”.
O fator familiar também influenciou Jâmia, ao ver toda a sua família contra a idéia de ter um “bebê de proveta”. “Minha família é contra este método. Tive que deixar todos parar ter a minha própria família. Fui atrás do meu sonho.”
Jâmia acredita que o fator psicológico influenciava no sucesso do tratamento. “Foi um processo muito difícil pra mim, a ansiedade toma conta da gente. Durante o tratamento, o apoio de psicólogos é fundamental. Sempre cuidei de todos em casa, mas quando pensei na minha realização pessoal, minha família virou um inferno. Por isso tive uma gravidez complicada, cheguei a ficar de cama em casa, mas mesmo assim nunca recebi uma visita.”
Ao todo, Jâmia fez uma inseminação e duas fertilizações in vitro. A última tentativa gerou quatro óvulos, e destes quatro apenas um fecundou - o João Ângelo que neste mês completa dois meses de vida.
Passar o 1º Dia das Mães na condição de mãe, com o filho ao seu lado, significa uma superação. “Felicidade suprema. Assim que eu resumo o clima que cerca a minha casa. Sempre sonhei em passar o Dia das Mães como mãe. Posso dizer que foi a maior realização da minha vida”.
Todos os tratamentos custaram cerca de R$ 20 mil. “Eu já tinha idéia de quanto gastaria, até vendi um terreno que eu tinha. O preço nunca importou, eu iria encarar de qualquer jeito”, afirmou.
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