10/05 - 18:50 - Redação com agências
SÃO PAULO - Com três anos de atraso e R$ 113 milhões mais cara, a Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, no Brooklin, zona sul, foi inaugurada sob protestos neste sábado.
A cerimônia de inauguração contou com a participação do governador José Serra e do deputado federal Paulo Maluf (PP). Apesar do clima de comício, com direito a bênção do Padre Marcelo Rossi (figura cativa nos últimos eventos de Kassab), manifestantes protestaram no evento.
Bastou o prefeito começar o discurso para cerca de 50 pessoas iniciarem as vaias. Gritando frases como "Ponte da Vergonha", "Uh, Uh, a Ponte é da Daslu", o prefeito precisou aumentar o tom de voz para ser ouvido. Os manifestantes apresentaram-se como "universitários contrários ao sistema".

Ponte estaiada foi inaugurada sob protestos / AE
A expectativa é de que a obra desafogue o tráfego nas principais avenidas da região - embora ainda com efeito reduzido, enquanto o restante do projeto viário previsto para o local não estiver pronto.
A nova ponte receberá cerca de 4 mil carros por hora em cada pista e permitirá acesso direto da Avenida Jornalista Roberto Marinho à Marginal do Pinheiros, sentido Interlagos, à zona oeste e ao centro.
Segundo Norberto Duran, os principais benefícios serão sentidos na Ponte do Morumbi - por onde circulam cerca de 7 mil veículos por hora - e no cruzamento entre as Avenidas Berrini e Roberto Marinho.
R$ 260 milhões
A obra, que começou em outubro de 2003, já consumiu R$ 260 milhões - falta ainda uma praça, com 520 árvores, a ser construída entre a Avenida Luiz Carlos Berrini e a Marginal do Pinheiros. A licitação do projeto, de 2002, vencida pela empreiteira OAS, previa gastos de R$ 146,9 milhões e conclusão do projeto no final de 2005.
Quando assumiu a Prefeitura, o hoje governador José Serra (PSDB) criticou os custos da obra. A opção pela manutenção do contrato com a OAS só foi feita porque a indenização à empreiteira, em caso de rompimento, seria de R$ 150 milhões. Nos últimos dois anos, contudo, o plano original da construção passou por incrementos.
Houve um aditamento de R$ 36,6 milhões no contrato e uma nova licitação, também vencida pela OAS, de R$ 70 milhões, para o remanejamento da rede elétrica que cruzava a estrutura. "O projeto não encareceu, o que ocorreram foram aditamentos normais", diz o gerente de obras da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), Norberto Duran.
Ponte criticada
Urbanistas e o Ministério Público reclamam que parte do dinheiro usado na construção, cerca de R$ 130 milhões, vieram da Operação Urbana Água Espraiada. Esse valor, segundo a promotora Claudia Beré, deveria ter sido investido em melhorias para os moradores da favela do Jardim Edite, área considerada Zona Especial de Interesse Social (Zeis).
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Com informações da Agência Estado
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