08/05 - 20:54, atualizada às 09:41 09/05 - Agência Estado
A Polícia Federal vai intimar o secretário de controle interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, para depor como principal suspeito de ser responsável pelo vazamento do suposto dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique e sua mulher, Ruth Cardoso. Segundo disse o delegado Sérgio Menezes, encarregado do inquérito, a sindicância da Casa Civil concluiu que Aparecido, indicado para o cargo pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, é o autor do vazamento.
O inquérito da PF, embora ainda não tenha sido concluído, guarda simetria com as conclusões da Casa Civil.
Segundo Menezes, a constatação não causa surpresa, uma vez que desde o início Aparecido era um dos suspeitos. O delegado informou que vai requisitar cópia da sindicância para anexá-la aos autos. "Agora ficou mais fácil fechar o cerco sobre a autoria do vazamento", disse o delegado. Antes, porém, ele vai pedir à Justiça que afaste o sigilo do documento, a fim de preservar a validade da prova. Uma troca de e-mails entre Aparecido e um funcionário do gabinete do Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi o elemento-chave para rastrear o caminho dos documentos com os gastos do ex-presidente.
O inquérito da PF para apurar responsabilidades pela confecção do dossiê e seu vazamento foi aberto em 7 de abril. Pouco depois a Casa Civil abriu sindicância com o mesmo fim. Nesta quinta-feira, a 12ª Vara da Justiça Federal prorrogou por mais 30 dias o prazo para conclusão do inquérito.
| Reprodução/ TV Globo |
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| José Aparecido Nunes teria vazado o dossiê |
Entenda o caso
No dia 4 de abril, o jornal "Folha de S.Paulo" publicou reportagem com uma cópia de arquivo extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil, revelando um dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da sua mulher, Ruth, e de ministros tucanos.
A "Folha", que teve acesso ao documento, afirma que no período de uma semana, foram criadas pastas diferentes para 1998, ano em que FHC foi reeleito, e os quatro anos do segundo mandato.
Ainda segundo o jornal, as planilhas, fartas em registros de compras de bebidas alcoólicas, trazem anotações que poderiam orientar os aliados governistas nos trabalhos da CPI dos Cartões, criada após a divulgação de gastos irregulares com cartões corporativos por membros do governo Lula.
Após a divulgação das planilhas, a ministra Dilma Rousseff teria telefonado para a ex-primeira-dama, Ruth Cardoso, dizendo que não se tratava de um dossiê. Dilma ainda convocou uma entrevista coletiva, onde voltou a negar a existência do dossiê.
Na ocasião, a ministra defendeu que o que havia sido feito era um banco de dados para sistematizar dados do governo FHC, afim de informar membros da CPI sobre os gastos.
Nesta quarta-feira, em depoimento de mais de 9 horas no Senado, Dilma voltou a negar a existência do dossiê.
Ao longo do depoimento, Dilma alegou que os dados vazados no suposto dossiê com gastos do ex-presidente FHC não são sigilosos. De acordo com ela, um decreto de dezembro de 2002 regulamentou quais são as informações reservadas. A partir dessa tese, passaria a não haver crime no vazamento das informações, já que os dados divulgados são anteriores a esta data.
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