08/05 - 20:53, atualizada às 22:00 08/05 - Redação
BRASÍLIA - Uma troca de e-mails permitiu aos técnicos do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação - ITI, órgão vinculado à Casa Civil - que identificassem quem teria vazado o dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à imprensa. Um laudo técnico concluiu que José Aparecido Nunes Pires, funcionário do Tribunal de Contas da União (TCU) - levado pelo ex-ministro José Dirceu para a Secretaria de Controle Interno da Casa Civil -, enviou por e-mail o dossiê a André Eduardo da Silva Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). As informações são do Jornal Nacional, da Rede Globo, que teve acesso ao laudo.
| Reprodução/ TV Globo |
![]() |
| José Aparecido Nunes teria vazado o dossiê |
Em entrevista, José Aparecido confirmou a troca de e-mails, mas disse que "jamais teve alguma coisa que pudesse beirar a ilegalidade". Pressionado, ele admitiu que pode ter enviado algum arquivo anexo, negando que tenha sido o dossiê.
José Aparecido afirmou ainda que no dia 11 de fevereiro ele cedeu dois funcionários para criar um documento com gastos da presidência com dados retroativos da administração FHC . "Iria se criar uma CPI e possivelmente ia pegar dados antes de 1998 e precisava sistematizar estes dados", disse.
O senador tucano confirmou, em entrevista à TV, que seu assessor recebeu os dados sigilosos. Mas ele não soube explicar o motivo dos dados terem ido parar em seu gabinete. "Não imagino o porque. Certamente houve um atravessamento."
Entenda o caso
No dia 4 de abril, o jornal "Folha de S.Paulo" publicou reportagem com uma cópia de arquivo extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil, revelando um dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da sua mulher, Ruth, e de ministros tucanos.
A "Folha", que teve acesso ao documento, afirma que no período de uma semana, foram criadas pastas diferentes para 1998, ano em que FHC foi reeleito, e os quatro anos do segundo mandato.
Ainda segundo o jornal, as planilhas, fartas em registros de compras de bebidas alcoólicas, trazem anotações que poderiam orientar os aliados governistas nos trabalhos da CPI dos Cartões, criada após a divulgação de gastos irregulares com cartões corporativos por membros do governo Lula.
Após a divulgação das planilhas, a ministra Dilma Rousseff teria telefonado para a ex-primeira-dama, Ruth Cardoso, dizendo que não se tratava de um dossiê. Dilma ainda convocou uma entrevista coletiva, onde voltou a negar a existência do dossiê.
Na ocasião, a ministra defendeu que o que havia sido feito era um banco de dados para sistematizar dados do governo FHC, afim de informar membros da CPI sobre os gastos.
Nesta quarta-feira, em depoimento de mais de 9 horas no Senado, Dilma voltou a negar a existência do dossiê.
Ao longo do depoimento, Dilma alegou que os dados vazados no suposto dossiê com gastos do ex-presidente FHC não são sigilosos. De acordo com ela, um decreto de dezembro de 2002 regulamentou quais são as informações reservadas. A partir dessa tese, passaria a não haver crime no vazamento das informações, já que os dados divulgados são anteriores a esta data.
Leia mais sobre: dossiê
Publicidade
Sinopse da imprensa: PF não vê indícios contra Dilma e Erenice e Aparecido deve ser único culpado