07/05 - 15:22, atualizada às 18:13 07/05 - Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, defendeu nesta quarta-feira, em audiência pública na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, a divulgação posterior de dados que em algum momento são considerados sigilosos.
A ministra não disse, porém, qual prazo seria adequado para que esse tipo de informação fosse levada a público, mas lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, no primeiro dia em que deixar o cargo, vai autorizar que se tornem públicas as informações relativas ao cartão corporativo da Presidência.
"Eu não vejo problema na divulgação dos dados que antes são considerados sigilosos. Vai ser aprimoramento nosso procurar divulgá-los. Ao não comprometer mais a segurança, defendo que sejam divulgados, até para ser objeto de escrutínio público"", disse. "Não vou avaliar o período, pois depende de outro ministro, mas acho que tem que ser tornado público, sim", completou.
Ao falar sobre o assunto, a ministra se referia ao debate que tomou conta dos primeiros dias da CPMI dos Cartões Corporativos, quando deputados e senadores alegavam, por exemplo, que saber onde o presidente alugou carros ou fez compras em anos anteriores, não colocaria sua segurança em risco.
Matilde
Dilma defendeu a ex-ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro, que se afastou do governo após a divulgação de seus gastos com cartões corporativos. À época, foi divulgado que ela usou R$ 170 mil em aluguéis de carros, somente em 2007, e que deveria ter feito uma licitação para a contratação do serviço.
De acordo com Dilma, todos os carros de ministros eram alugados com o sistema de suprimentos de fundos até 2005, e que a partir daí o sistema começou a ser substituído. A chefe da Casa Civil ainda comentou que os gastos de Matilde em 2007 não ficaram muito diferentes dos registrados nos anos anteriores.
A sessão na Comissão de Infra-Estrutura do Senado começou por volta das 10h20 desta quarta-feira. Oficialmente, ela foi convocada para falar sobre o PAC, mas a oposição aproveitou para fazer questionamentos sobre o suposto dossiê.
Assim que chegou ao Senado, a ministra disse que responderia a todas as perguntas. Dizendo estar tranqüila, ela foi recebida pelo senador José Sarney (PMDB-MA) e pela tropa de choque do governo. "Vou responder a todas as perguntas, estou tranqüila", disse a ministra.
Ainda nesta quarta-feira, pela manhã, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que não haverá necessidade de nova convocação para falar especificamente sobre o dossiê – conforme requerimento aprovado na mesma comissão. "Hoje nós liquidamos esse assunto [dossiê], não tem porque ter outra [audiência]", disse.
Após prestar depoimento, Dilma deve se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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