07/05 - 11:21 - Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - Após o senador Agripino Maia (DEM-RN) ter citado uma antiga entrevista em que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse ter mentido durante sua prisão no período da ditadura, ela garantiu que, no Estado de exceção, não se podia falar a verdade, caso contrário custaria sua própria vida e de outros companheiros que combatiam o regime militar.
"Qualquer comparação entre a ditadura e a democracia só pode partir de quem não dá valor a democracia", disse. "Qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para seus torturadores compromete seus companheiros. Eu me orgulho muito de ter mentido para os torturadores", completou.
Ela destacou ainda que, no Estado democrático, a verdade sempre será dita, pois existe uma relação de igualdade, não é um diálogo entre o "pescoço e a forca".
Dilma lembrou dos sofrimentos quando foi torturada pelo regime militar e disse se orgulhar de não ter delatado companheiros. "A dor é insuportável, o senhor [Agripino] não tem idéia".
A ministra Dilma presta depoimento nesta manhã na comissão de infra-estrutura do Senado para falar sobre o PAC, mas também vai responder a questões da oposição sobre um suposto envolvimento na confecção de um dossiê com as contas do ex-presidente FHC com cartões corporativos.
Publicidade
Após mais de nove horas, acaba depoimento de Dilma no Senado
Dilma diz que ações do PAC não são comícios, mas celebrações
Agripino provoca Dilma dizendo que ela mentiu durante ditadura