07/05 - 13:10 - Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, voltou a negar a existência de um dossiê com gastos do ex-presidente FHC. De acordo com ela, o que existe é um banco de dados com registro de despesas com o suprimento de fundos e com cartões corporativos. Ela classificou como "indevido" o vazamento dos dados e reiterou que a Polícia Federal investiga o assunto.
"Não há dossiê, o que há e o que foi e o que existe, e está a disposição inclusive da própria CPI são dados relativos a cartões corporativos e suprimentos de fundo", disse. "Se não há dossiê, há banco de dados, temos que investigar quem vazou. Pois usou informação que é prerrogativa da Casa Civil, é indevido o vazamento", completou.
Em depoimento à comissão de infra-estrutura do Senado, Dilma foi questionada sobre o dossiê pelo senador Mário Couto (PSDB-PA), que pediu uma explicação definitiva sobre o caso.
Dilma repetiu versões que já havia dado em entrevistas anteriores. Ela alegou que o Tribunal de Contas da União (TCU) criticou o sistema de armazenamento de dados dos cartões corporativos e de despesas com suprimentos de fundo e que, na sociedade moderna, a melhor maneira de disponibilizar dados é através da informática.
A partir daí o banco de dados passou a ser construído e, segundo Dilma, foi elogiado pelo próprio TCU. Em relação ao vazamento das informações ela reiterou que é "enfaticamente" contrária. Disse ainda que tal ação se compadece ao período da ditadura e não da democracia.
Com a explicação, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), acusou a ministra de crime de responsabilidade, alegando que um requerimento seu, de 2005, pedindo dados sobre gastos com suprimentos de fundo e cartões corporativos não foi respondido.
Ele comentou que, com a existência de um banco de dados, ele deveria ter sido o primeiro a receber informações, o que não aconteceu. "Ao meu ver isso configura um crime de responsabilidade", disse.
A ministra, por sua vez, disse que a Casa Civil não pode enviar as informações em 2005 pois ainda não existia o banco de dados, e que, tão logo passaram a existir tabelas, o senador foi informado que as mesmas estavam à disposição. "Nós respondemos ao requerimento, talvez não como o senhor desejasse, mas respondemos", pontuou.
A sessão na Comissão de Infra-Estrutura do Senado começou por volta das 10h20 desta quarta-feira. Oficialmente, ela foi convocada para falar sobre o PAC, mas a oposição aproveitou para fazer questionamentos sobre o suposto dossiê.
Assim que chegou ao Senado, a ministra disse que responderia a todas as perguntas. Dizendo estar tranqüila, ela foi recebida pelo senador José Sarney (PMDB-MA) e pela tropa de choque do governo. "Vou responder a todas as perguntas, estou tranqüila", disse a ministra.
Ainda nesta quarta-feira, pela manhã, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que não haverá necessidade de nova convocação para falar especificamente sobre o dossiê – conforme requerimento aprovado na mesma comissão. "Hoje nós liquidamos esse assunto [dossiê], não tem porque ter outra [audiência]", disse.
Após prestar depoimento, Dilma deve se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro está marcado para as 15h desta quarta-feira.
(*com informações da Reuters)
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