07/05 - 19:48, atualizada às 20:59 07/05 - Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - Após mais de nove horas de depoimento foi encerrada a sessão na comissão de Infra-estrutura do Senado que ouviu a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ela voltou a negar a existência de um dossiê com gastos do ex-presidente FHC. De acordo com ela, o que existe é um banco de dados com registro de despesas com o suprimento de fundos e com cartões corporativos. Ela classificou como "indevido" o vazamento dos dados e reiterou que a Polícia Federal investiga o assunto.
"Não há dossiê, o que há, o que foi, o que existe, e está a disposição inclusive da própria CPI são dados relativos a cartões corporativos e suprimentos de fundo", disse. "Se não há dossiê, há banco de dados, temos que investigar quem vazou. Pois usou informação que é prerrogativa da Casa Civil, é indevido o vazamento", completou.
Ao longo do depoimento, Dilma alegou que os dados vazados no suposto dossiê com gastos do ex-presidente FHC não são sigilosos. De acordo com ela, um decreto de dezembro de 2002 regulamentou quais são as informações reservadas. A partir dessa tese, passaria a não haver crime no vazamento das informações, já que os dados divulgados são anteriores a esta data.
Além disso, ela defendeu a abertura de gastos sigilosos dos presidentes da República. O critério para tal seria dado pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, que estipularia depois de quanto tempo os dados poderiam ser abertos sem comprometer a integridade dos mandatários da nação.
As explicações sobre o suposto dossiê agradaram a base governista. O líder Romero Jucá (PMDB-RR), chegou a "lançar" Dilma como candidata para as eleições de 2010. O mesmo não aconteceu com a oposição, que já defende novas convocações alegando que a ministra foi evasiva nas respostas e não esclareceu os principais pontos do dossiê.
Ditadura
No início de seu depoimento na Comissão de Infra-estrutura do Senado, nesta quarta-feira, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) respondeu ao líder do DEM, Agripino Maia, e disse que se orgulha de ter mentido quando foi presa e torturada durante a ditadura militar (1964-1985), período em que não havia liberdade de expressão.
"Me orgulho de ter mentido, o que estava em questão era a minha vida e a de meus companheiros. Aguentar tortura é dificílimo", disse Dilma aos senadores nesta quarta-feira. Presa nos anos 60 por ter participado de movimento contra o regime militar, ela ficou três anos na cadeia.
"Pau de arara, choque elétrico, não há possibilidade de um diálogo. Qualquer comparação só pode partir de quem não dá importância à democracia", rebateu a ministra que disse estar disposta a responder a todas as perguntas que lhe fizerem após sua exposição sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
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