04/05 - 13:48, atualizada às 00:47 05/05 - Redação com agências
MANAUS - A Marinha realizou uma recontagem na noite deste domingo e confirmou o resgate de 15 corpos de vítimas do naufrágio da embarcação Comandante Sales, ocorrido nesta madrugada. Aproximadamente 100 pessoas estavam a bordo do barco, que afundou nas águas do rio Solimões, a 15 minutos do porto de Manacapuru, cidade que fica a 68 km de Manaus.
Mais cedo, levantou-se o número de 16 corpos, mas uma pessoa foi contada duas vezes durante o transporte. Por hoje as buscas foram suspensas e devem ser retomadas na manhã desta segunda.
Segundo o tenente Raimundo Lenilton de Araújo, do 9º Distrito Naval da Marinha, alguns passageiros foram resgatados por outros barcos e outros conseguiram nadar até a margem.
O tenente acredita que a causa do acidente tenha sido a forte chuva da madrugada, que teria formado ondas gigantes no Rio Solimões. Ele informou ainda que a embarcação não chegou a afundar completamente.
Foto:Agência Estado
Embarcação irregular
Em nota divulgada à imprensa, a Marinha afirma que o barco "Comandante Sales" não é inscrito na Capitania dos Portos. Ressalta também que a embarcação foi abordada pela equipe de Inspeção Naval da Capitania dos Portos no dia 19 de janeiro deste ano. Na ocasião, ela foi apreendida por não possuir a documentação exigida e por estar navegando sem tripulação habilitada.
Ainda segundo a Marinha, uma embarcação da Capitania dos Portos chegou ao local do acidente às 12h deste domingo para prestar o apoio necessário.
Um inquérito administrativo será instaurado para apurar as causas do acidente, sob a coordenação da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental. Ela terá 90 dias para concluir as investigações. O prazo pode ser prorrogado por até um ano.
O acidente
O acidente com o barco Comandante Sales ocorreu por volta de 5h30 da manhã. Os passageiros da embarcação retornavam de uma festa realizada na comunidade "Pesqueiro", em frente à cidade de Manacapuru, do outro lado do rio Solimões.
O Corpo de Bombeiros informou ainda que 15 mergulhadores e mais 40 homens da corporação participam da operação de resgate das vítimas. Pelas condições do rio, o trabalho pode durar mais dois ou três dias, de acordo com o sargento Marimar.
'O rio é largo e turvo, o que dificulta as operações, que podem se estender por mais dois ou três dias pelo menos', disse.
"O barco estava vindo de uma comunidade do interior com destino a Manacapuru. Em certas épocas, eles vão ao interior para as festas, e na hora de voltar se amontoam todos em qualquer barco que aparece, que costumam não registrar as pessoas que entram", afirmou à Reuters por telefone o sargento Marimar.
Esse é o segundo naufrágio em rios amazônicos neste ano. Em fevereiro, a embarcação Almirante Monteiro afundou após o choque com a balsa Carlos Eduardo, que transportava combustíveis e se deslocava para o município de Itacoatiara, a cerca de 170 quilômetros de Manaus.
(*Com informações da Reuters, Agência Estado e Agência Brasil)
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