28/04 - 20:32 - Redação com agências
SÃO PAULO - A reconstituição do assassinato de Isabella Nardoni, realizada neste domingo, concluiu que o tempo entre a chegada da família Nardoni ao prédio e a queda da garota durou dois minutos a menos do que se supunha. Segundo os peritos que participaram da reconstituição, toda a ação do assassino de Isabella teria durado 11 minutos. As informações são do Jornal Nacional.
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| Peritos simularam assassinato de Isabella |
Segundo um dos vizinhos, quando estava do lado de sua filha à espera do resgate, Alexandre Nardoni declarou: "Arrombaram meu apartamento, rasgaram a tela de proteção e jogaram minha filha".
Na reconstituição, que não teve a participação de Alexandre Nardoni e de Anna Carolina Jatobá, a polícia trabalhou com a hipótese da família toda ter subido junta ao apartamento pelo elevador, ao contrário da versão apresentada pelo casal.
Os peritos simularam duas situações de esganadura. Uma realizada pela madrasta e outra pelo pai.
Foi concluido também que a tesoura apreendida na cozinha do apartamento foi a usada para cortar a tela de proteção da janela de onde Isabella foi jogada. No lençol, a perícia encontrou uma marca de mão de criança com sangue, que não poderia ser de Isabella, pois esta não tinha vestígios de sangue nas mãos.
Relatório final
Os delegados responsáveis pela investigação do assassinato, Calixto Calil Filho e Renata Helena Pontes, passaram a segunda-feira trabalhando no inquérito policial do caso, que tem cinco volumes e 950 páginas.
Até quarta-feira, quando termina o prazo para a entrega do documento ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), Calil Filho e Renata devem formular o relatório final da apuração, que terá de 15 a 20 páginas.
O inquérito, o relatório final e um eventual pedido de prisão preventiva do consultor jurídico Alexandre Nardoni e da mulher dele, Anna Carolina Jatobá, indiciados pelo crime, serão entregues pelos delegados ao promotor que acompanha o caso, Francisco Cembranelli.
Cembranelli disse nesta segunda que pretende anunciar a decisão - encaminhar denúncia à Justiça ou arquivar o inquérito - na segunda-feira.
Internautas são a favor de penas mais rígidas
Indigado com o assassinato da menina Isabella Nardoni, o senador Magno Malta (PR-GO) anunciou que vai apresentar uma proposta no Senado para acabar com os benefícios de redução de pena que têm direito réus primários no caso de crimes contra crianças. US 
Enquete realizada pelo Último Segundo nesta segunda revela que 89% dos internautas concordam que réus primários devem perder os benefícios em caso de crimes contra crianças. Participaram da consulta, realizada somente entre internautas e sem valor de amostragem científica, 1169 leitores.
Reconstituição dura sete horas
Neste domingo, participaram dos trabalhos de reconstituição do crime quatro peritos criminais, dois médicos legistas, dois fotógrafos e dois desenhistas.
Por volta das 10h, os peritos refizeram o trajeto que Alexandre Nardoni alega ter feito na noite do crime para cronometrar o tempo. Eles saíram do carro na garagem do prédio, subiram até o apartamento, no 6° andar, foram até o quarto onde Alexandre afirma ter colocado Isabella, trancaram o apartamento e retornaram para a garagem.
De acordo com informações do Instituto de Criminalística (IC), porém, nada foi fotografado, tudo foi feito apenas para checagem de tempo e somente esta ação considerou o depoimento do pai e da madrasta de Isabella.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a versão de Alexandre e Anna Carolina não foi plenamente simulada, como anteriormente previsto, porque eles optaram por não participar da reconstituição. Os investigadores iria contrapor as versões da polícia e do casal para avaliar tecnicamente o que, na prática, é plausível que tenha acontecido na noite do crime. Com a ausência do casal, no entanto, apenas a versão da polícia foi considerada.
Passo a passo
| AE |
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Após ser cronometrado o tempo do trajeto relatado por Alexandre, os peritos subiram para o apartamento 62, onde morava o casal e seus dois filhos e de onde Isabella foi jogada. Lá, eles colocaram a rede de proteção que estava no quarto da menina no quarto de seus irmãos. A rede original havia sido retirada na semana do crime para os trabalhos da perícia.
Cerca de uma hora depois, a equipe do IC filmou e fotografou a janela de onde a menina caiu. Às 12h50, um dos peritos começou a cortar com uma tesoura a tela de proteção. Enquanto isto, outros dois especialistas fotografavam a cena, da sacada do apartamento e da calçada da rua onde está localizado o edifício.
Cerca de dez minutos depois do corte feito na tela, um perito começou a simular o momento em que a menina foi atirada pela janela, utilizando para a reconstituição uma boneca articulada. Foram feitas três simulações de como Isabella teria sido jogada, de acordo com os laudos realizados pela polícia. A boneca, que estava presa por uma corda, foi solta por cerca de meio metro e depois içada para dentro do apartamento.
| Lectícia Maggi |
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A boneca que representou a menina foi de um modelo especial usado pela polícia forense e custa, de acordo com informações da Secretaria de Segurança de São Paulo, cerca de US$ 2,5 mil. O modelo pode ter o peso regulado e é muito utilizado neste tipo de procedimento, não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro.
Essa boneca não foi jogada do 6º andar pelo alto custo e também porque dificilmente caíria na mesma posição em que Isabella foi encontrada. Outras bonecas comuns foram utilizadas no trabalho da polícia, mas nenhuma delas foi atirada pela janela.
No jardim onde a criança caiu, os peritos reconstituíram por mais de uma hora o momento em que o corpo foi achado, a hora em que o vizinho do primeiro andar ligou para o resgate e que o casal chegou ao local.
Testemunhas
| Lecticia Maggi |
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| Morador simula ligação para o resgate |
Segundo o morador, a menina não mexia o corpo, apenas os olhos. Ele relatou aos peritos na tarde de domingo o que viu quando Alexandre Nardoni desceu para olhar a filha. “Ele ficou de joelhos e encostou o ouvido direito no coração da menina. Perguntei a ele, ‘o que aconteceu, filho?’. Ele olhou para mim e disse, ‘arrombaram meu apartamento, rasgaram a tela de proteção e jogaram a minha filha’”, descreveu.
A testemunha disse ainda que foi ele quem ligou para a polícia e pediu resgate. “Falei para o Alexandre, ‘não toque [na menina], senão você pegar é capaz de arrebentar a vida dela. Fica tranqüilo que o resgate já foi chamado’”.
O morador contou que Alexandre ficava andando de um lado para o
| Lecticia Maggi |
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| Perita se passa por Anna Carolina |
Além desta testemunha, outra pessoa que ajudou os peritos nessa fase da reconstituição do crime foi o porteiro do edifício, que na noite do assassinato interfonou para este morador para avisar sobre o ocorrido.
Teste de som
A última etapa da reconstituição foi a medição do som no prédio vizinho ao Residencial London. Dois moradores do quarto andar deste outro edifício relataram para a polícia que ouviram uma briga do casal Nardoni na noite do crime. A polícia esteve no apartamento deles para averiguar se isto seria possível.
Por volta das 17h, os peritos encerraram os trabalhos de reconstituição e ainda esta semana o inquérito deve ser concluído e encaminhado ao Ministério Público.
(Com Lecticia Maggi, do Último Segundo)
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