27/04 - 02:34 - Redação com Agência Estado
SÃO PAULO – A polícia realiza, às 9h deste domingo, a reconstituição da morte de Isabella Nardoni, asfixiada e jogada do 6° andar do edifício London no dia 29 de março. A previsão é que os trabalhos durem cerca de 10 horas.
O objetivo dos peritos e dos delegados é reproduzir passo a passo a versão dada pelo casal, desde a chegada ao prédio até o momento em que a criança foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros. A polícia também quer simular os fatos conforme os apresentados nas investigações e nos laudos, que apontam o pai Alexandre Alves Nardoni e sua mulher Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá como os únicos suspeitos da morte.
Compõem a equipe do IC desenhista, fotógrafo, peritos e um médico legista. Eles usarão programas de computador, câmera fotográfica, filmadora, trena, decibelímetro (para medir ruídos), cronômetro e um manequim articulado.
Devem comparecer ao London também os delegados responsáveis pela investigação do crime, Calixto Calil Filho e Renata Helena Pontes, do 9º Distrito Policial, e o promotor de Justiça que acompanha o caso, Francisco Cembranelli.
O advogado Antônio Nardoni, avô de Isabella, afirmou nesta sexta-feira que o seu filho Alexandre Nardoni e a mulher, Anna Carolina Jatobá - indiciados pela morte da menina - não comparecerão à reconstituição do crime. Segundo ele, a decisão já foi comunicada ao 9º Distrito Policial, que cuida da investigação do caso.
A versão contada por Alexandre é de que, por volta das 23h20 da noite do crime, ele estava voltando para o apartamento com a mulher, os dois filhos do casal, Kauã, de 11 meses, e Pietro, de três anos, e Isabella. Ele disse que subiu sozinho para o apartamento, acomodou a filha, que já dormia, na cama e acendeu o abajur. Depois, arrumou as camas do quarto dos meninos e trancou a porta.
| Reprodução |
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| Reconstituição deve ocorrer hoje |
Na sexta-feira, 18 de abril, o delegado Aldo Galeano, do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) informou que o casal foi indicado por homicídio triplamente qualificado – motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e meio cruel.
A polícia está convencida de que Isabella começou a ser agredida ainda no carro e já chegou desfalecida ao apartamento. Para os investigadores, a garota foi asfixiada pela madrasta e atirada da janela pelo pai. A reconstituição do caso vai levar em conta as duas versões e deve ocupar o estacionamento, elevador do edifício, apartamento do casal e jardim onde ela foi encontrada. Segundo informações da Secretária de Segurança Pública, cerca de 10 testemunhas devem estar no prédio, entre eles o pai de Alexandre, o advogado Antonio Nardoni, e a irmã dele, Cristiane Nardoni. Moradores do Edifício London e de imóveis vizinhos foram solicitados para contar o que viram e ouviram naquela noite. O porteiro do prédio, primeiro a ver o corpo de Isabella estendido no gramado, e os homens do resgate devem dar detalhes sobre a posição em que a menina foi encontrada e como aconteceu o socorro à vítima. As equipes que participarão da reconstituição terão ainda de ir até o prédio ao lado, porque duas testemunhas que ali residem teriam ouvido a briga do casal.Segurança e trânsito
Para garantir a segurança, cerca de cem policiais militares e civis, incluindo homens do Grupo de Operações Especiais (GOE), fazem o policiamento no entorno do edifício, que está localizado na Rua Santa Leocádia, Vila Isolina Mazzei, na zona norte da capital. Na quinta-feira, o delegado da 4ª Seccional Norte César Camargo afirmou que “iria agir para dar o máximo de condições de trabalho aos policiais”.
O trânsito na área também sofreu alterações. A quadra do Edifício London está isolada desde as 23h de sábado entre a Avenida General Ataliba Leonel e a Rua Mandaguari. Os desvios devem ser feitos pela rua Salvador Romeu ou pela rua Quedas. É permitido apenas o trânsito de moradores. A imprensa tem um espaço reservado, e cercado, em frente ao prédio, a cinco metros da entrada. Os populares que queiram acompanhar os trabalhos dos peritos estarão a cerca de 100 metros do local. Alguns moradores já saíram do prédio. Aos que ficaram, a polícia orientou para que não saiam de seus apartamentos até o fim da reconstituição. "Apesar de poucas pessoas viverem no edifício, algumas famílias já deixaram ou pretendem deixar o local para evitar incômodos", afirmou Camargo. "Eles demonstraram boa-vontade. Todos querem que a situação seja resolvida logo”, afirmou. A Justiça acatou o pedido da Polícia Civil de São Paulo para fechar o espaço aéreo em um raio de 3 km em torno do Edifício London para que seja feita a reconstituição do crime. O delegado do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil, Luiz Antonio Pinheiro, pediu o fechamento do espaço aéreo para ver se existe a possibilidade de que vizinhos do prédio, onde Isabella Nardoni foi jogada do sexto andar, ouvissem uma possível discussão entre Alexandre e Anna Carolina. O delegado afirmou que esse procedimento, que foi negado pela Aeronáutica, será importante para a reconstituição.
O caso
| AE |
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No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.
O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.
O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".
*Com informações da Agência Estado
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