27/04 - 07:19 - Lecticia Maggi, repórter Último Segundo
SÃO PAULO - A reconstituição da morte de Isabella Nardoni, prevista para ter início às 9h deste domingo, começou com quase uma hora de atraso e terminou por volta das 17h. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a versão do pai da menina, Alexandre Nardoni, e de sua madrasta, Anna Carolina Jatobá, não foi simulada, como anteriormente previsto, porque o casal se negou a participar da reconstituição. A menina foi jogada da janela do 6º andar do edifício London, na zona norte de São Paulo, em 29 de março.
O objetivo dos peritos do Núcleo de Crime Contra a Pessoa do Instituto de Criminalística (IC), que conduzem a reconstituição, era confrontar as informações dos depoimentos com as provas testemunhais e físicas do crime.
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| Perito simula com boneca morte de Isabella |
De acordo informações do Instituto de Criminalística, porém, os peritos refizeram esta manhã o trajeto que o pai de Isabella relata ter feito na noite do crime para cronometrar o tempo e descobrir se todo o percurso poderia ter sido cumprido no tempo alegado por Nardoni. Nada foi fotografado, tudo foi feito apenas para checagem de tempo e apenas esta ação considerou o depoimento do pai e da madrasta de Isabella.
Segundo a polícia, foram usados dublês com o mesmo porte físico de Alexandre e Anna Carolina para a encenação. Compunham a equipe do IC desenhista, fotógrafo, peritos e um médico legista. Eles usaram programas de computador, câmera fotográfica, filmadora, trena, decibelímetro (para medir ruídos), cronômetro e um manequim articulado.
Foram convocados para o procedimento, último passo da polícia antes do encerramento do inquérito, os dois indiciados pelo homicídio, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, e cinco testemunhas, moradores do London.
O casal, porém, informou na sexta-feira à noite que não ia participar. Pela lei, eles não são obrigados a comparecer já que ninguém precisa criar provas contra si mesmo.
Estiveram presentes no local os delegados responsáveis pela investigação do crime, Calixto Calil Filho e Renata Helena Pontes, do 9º Distrito Policial, e o promotor de Justiça que acompanha o caso, Francisco Cembranelli.
A previsão era de que a reconstituição durasse 5 horas, mas durou mais de 7h. As simulações foram feitas no interior do prédio e do apartamento de onde Isabella foi jogada e na parte externa do prédio.
Desde sexta-feira, policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE) fazem a segurança do entorno do residencial London. Hoje, o contingente de policiais militares e civis no local é de 120 homens, alguns alocados em cima de prédios vizinhos. O objetivo é evitar tumultos como os que aconteceram na 9ª DP, quando depuseram integrantes da família Nardoni.
Mesmo com o fechamento da rua cerca de 200 curiosos acompanham no final da via a movimentação dos peritos e da imprensa no local.
O caso
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No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.
O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.
O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".
*Com informações da Agência Estado
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