21/04 - 15:29 - Redação com agências
SÃO PAULO – O pai de Alexandre Nardoni, Antônio Nardoni, e sua irmã, Cristiane, prestarão depoimento no 9°Distrito Policial (DP), na zona norte de São Paulo, nesta terça-feira, às 16h. Com esses testemunhos e o indiciamento pela morte de Isabella Nardoni, o caso chega a sua fase final. No mesmo dia também pode ser pedida a prisão preventiva do casal, de acordo com delegado Aldo Galeano. E ainda na semana, mas sem data definida, devem ser divulgados os laudos conclusivos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML), que irão apontar quem matou Isabella e revelar mais detalhes de como o crime aconteceu.
A Polícia Civil também deve fazer até sexta-feira a reconstituição do assassinato de Isabella com a presença de Anna Carolina e Alexandre. O casal irá relatar aos policiais suas ações na noite do crime. Além disso, será feita a acareação do casal. A técnica jurídica coloca frente a frente os suspeitos levantando os pontos divergentes, até que se chegue às alegações e afirmações verdadeiras.
Entrevista à TV
| Reprodução |
![]() |
| Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá falam pela 1º vez após morte de Isabella |
Alexandre Nardoni disse ainda não entender o que fizeram com sua filha. "Passamos muitos momentos marcantes com a Isa, não consigo acreditar que fizeram isto com ela. Não entra na minha cabeça como fizeram uma coisa destas com uma criança, não entra, não consigo entender".
O pai de Isabella pediu à população que denuncie se tiverem conhecimento de algum suspeito. “Queremos que a verdade apareça”. “É o que eu peço todos os dias para Deus, que apareça o culpado”, completou Ana Carolina.
O casal contou que sempre foi uma família unida e que Isabella fazia parte deste núcleo de união. “Meus filhos sempre foram tudo na minha vida”, disse emocionado Alexandre emocionado.
Foi a primeira vez que eles conversaram com a imprensa após a morte da menina. O casal chegou a ter prisão temporária decretada no início do inquérito e ficou preso por oito dias.
O que as investigações revelaram
Até o momento, o que foi revelado pelos laudos do IC é que havia
| AP |
![]() |
| Caso Isabella chega a sua fase final |
De acordo com a polícia, havia sangue no encosto do banco do motorista, no assoalho do veículo e na lateral da cadeirinha de bebê. No apartamento, o sangue teria sido encontrado do hall de entrada até o quarto dos filhos do casal. Exames confirmaram que o sangue é de Isabella Nardoni.
Trilha de sangue - o laudo também apontou que havia uma trilha de sangue na cena do crime que o assassino tentou disfarçar. Ela começava no carro de Alexandre e continuava a partir da entrada do apartamento. Por isso, a perícia chegou à conclusão de que Isabella chegou ferida ao apartamento do 6º andar do Edifício Residencial London.
A trilha de sangue foi produzida por pingos que caíram de uma altura de 1,2 ou 1,3 metro de altura, o que é compatível com a altura do pai da menina. O rastro começa no carro de Alexandre, o Ford Ka estacionado na garagem do 2º subsolo do prédio, e só foi revelado após a aplicação do luminol (substância química que destaca manchas invisíveis a olho nu).
Além da porta do apartamento, a trilha continuava, passando ao lado da mesa com seis lugares e do sofá de couro preto. Em seguida, os pingos mostraram que o assassino de Isabella levou a menina no colo pela sala onde estava a tevê de plasma de 50 polegadas até o corredor em direção dos quartos.
Uma gota foi identificada, por exemplo, na frente da porta do banheiro. O criminoso entrou na primeira porta à esquerda - o quarto de Cauã e Pietro, que fica antes do de Isabella. Ele pôs Isabella em cima da cama enquanto cortava a rede da tela de proteção, daí a mancha de sangue no lençol encontrada no quarto.
Pegada de chinelo - foi então que o assassino escorregou e pisou no lençol da cama. É ali que foi encontrada a pegada característica do chinelo que Alexandre usava na noite do crime.
Tela cortada - a tela foi cortada rapidamente com uma faca e com uma tesoura - na roupa de Alexandre havia partículas de naílon da tela. Isabella foi segurada pelas mãos a 20 metros de altura. Foi solta primeiro pela mão esquerda e depois pela direita. Havia uma mancha de sangue em forma de dedos de criança a 5 cm do parapeito da janela.
Marcas no pescoço - os peritos também constataram que as marcas no pescoço da menina foram provocadas por esganadura. Pela extensão e o tipo das lesões internas, tudo leva a crer que a compressão foi feita por alguém não tão forte.
Versão do pai - o fato de Isabella ter chegado ferida ao prédio desmente o álibi do pai. Em seu primeiro interrogatório, Alexandre afirmou que ela estava bem quando chegou ao prédio. Isabella dormia. Alexandre afirmou que levou a menina no colo até o quarto dela. Alexandre contou à polícia que levou Isabella sozinho até o apartamento enquanto sua mulher e seus dois outros filhos aguardavam na garagem. Segundo ele, quando voltou ao apartamento encontrou a tela da janela rompida e a criança havia sido jogada. Reprodução/ TV Globo 
Quarto de onde Isabella foi jogada
Arrombamento e invasão - não havia sinais de arrombamento no apartamento nem de uma possível invasão do prédio. Os peritos usaram um homem de 1,9 m de altura para exemplificar que seria impossível que alguém escalasse o muro dos fundos do prédio para entrar no imóvel. Concluíram que não havia possibilidade de que uma terceira pessoa tivesse invadido o prédio e matado a menina.
A trilha de sangue no apartamento foi desfeita às pressas pelo criminoso. O que ele não contava era que o rastro de gotas de sangue e a presença de manchas na fralda fossem detectadas pelo uso do luminol.
Os peritos também analisaram as fitas de vídeo do sistema de segurança do Edifício London e do prédio em frente. Em nenhum momento foi observada a presença de pessoa estranha ou veículo entrando no prédio no dia do crime.
Portanto, os dois únicos adultos que estavam no apartamento naquela noite eram o pai e madrasta da menina. Essa certeza se deve ainda a um dos princípios de toda perícia criminal: todo contato deixa uma marca. Nenhuma outra pessoa deixou marcas dentro do apartamento além dos dois acusados. Todas as marcas e vestígios no lugar foram feitos pelo casal e pelas três crianças.
O caso
| AE |
![]() |
No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.
O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.
O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas, disseram esperar que "a justiça seja feita".
*Com informações da Agência Estado
Principais notícias sobre o caso:
VÍDEOS DO CASO ISABELLA
Laudos
Depoimentos
Prisão
Reprodução
Isabella em vídeo
OPINIÃO
Publicidade
Inquérito do caso Isabella e pedido de prisão devem ser entregues nesta quarta, diz promotor