19/04 - 19:16 - Redação
SÃO PAULO – Uma das estratégias da polícia no interrogatório de Anna Carolina Jatobá, realizado nesta sexta-feira, era fazer com que ela confessasse a participação na morte de Isabella Nardoni. De posse de resultados preliminares dos laudos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML), os policiais tinham como tática dizer a Anna Carolina que ela poderia responder criminalmente por lesão corporal dolosa, e não por homicídio, uma vez que a menina morreu em decorrência da queda. As informações são do jornal “O Estado de São Paulo”.
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| Casal deixa a delegacia neste sábado |
Na visão dos delegados responsáveis pela investigação, tudo indica que Anna Carolina tenha agredido e asfixiado a menina enquanto o pai, Alexandre Nardoni, teria jogado a menina pela janela. Entre o material coletado pela polícia, estava um bilhete escrito por Anna Carolina, em que demonstrava estar chateada e descontente com as crianças – Isabella, Pietro, de 3 anos, e Cauã, de 1 ano.
Além desse bilhete, os peritos forneceram outros dados à polícia sobre a possível participação da madrasta no assassinato. Também foi encontrado uma mancha em um tênis de Anna Carolina. O exame de DNA revelou que a marca continha vestígios do sangue de Isabella.
Os peritos do IC detectaram ainda manchas de sangue nas roupas que a madrasta vestia na noite do crime. O que fortalece as suspeitas da polícia contra Anna Carolina é o fato de nenhuma das testemunhas ouvidas no caso ter visto a mulher se aproximar do corpo de Isabella após a queda.
Casal indiciado
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram indiciados, nesta sexta-feira, pelo homícidio de Isabella. O interrogatório de Anna Carolina, tomado pelos delegados Calixto Calil e Renata Pontes, começou por volta das 20h e terminou à 1h30 do sábado. Eles deixaram a delegacia às 4h40.
O interrogatório foi bem mais curto do que o prestado por seu marido. Alexandre Nardoni prestou depoimento por cerca de oito horas. A polícia descartou a realização da acareação entre os dois.
O pai de Alexandre e sua irmã prestariam depoimento neste sábado, mas ele foi adiado pela polícia para terça-feira, 22.
Sangue no carro
A decisão da polícia baseou-se em provas técnicas e contradições nos depoimentos. Laudos realizados pelo Instituto de Criminalística (IC) revelaram que havia sangue no carro de Alexandre, no apartamento do casal e no sapato de Anna Carolina.
A polícia sabia, desde o início das investigações, que havia sangue no carro de Alexandre, mas preferiu manter a informação em sigilo para não atrapalhar o encaminhamento do caso e confundir a defesa do casal. Durante a investigação, chegou até mesmo a anunciar que não era sangue a mancha encontrada no veículo.
De acordo com a polícia, havia sangue no encosto do banco do motorista, no assoalho do veículo e na lateral da cadeirinha de bebê. No apartamento, o sangue teria sido encontrado do hall de entrada até o quarto dos filhos do casal. Exames confirmaram que o sangue é de Isabella Nardoni.
A prisão preventiva do casal deve ser pedida até a terça-feira.
Choro e frieza
Segundo o "Jornal Hoje", da TV Globo, ao ser questionada sobre as manchas de sangue encontradas no carro do casal, Anna Carolina disse que desconhecia o fato. Ela teria dito apenas “desconheço” sem se estender mais sobre o assunto. A mesma resposta teria sido dada para o ferimento na testa de Isabella.
Ainda, de acordo com a polícia, Anna Carolina demonstrou frieza durante o depoimento. Já Alexandre chorou bastante. Os dois foram indiciados pela polícia por homicídio doloso (com intenção de matar), triplamente qualificado, pela impossibilidade de defesa da vítima, motivo torpe e cruel.
Segurança reforçada
A chegada de Alexandre e Anna Carolina à delegacia, na sexta-feira, foi bastante tumultuada e sob forte esquema de segurança. Os dois chegaram em uma viatura da polícia e a madrasta de Isabella chorava. (veja vídeo abaixo)
Em cartas (veja a íntegra aqui), divulgadas no dia 3 de abril, o casal afirmou ser inocente. Nesta sexta-feira, o advogado de defesa da família Nardoni, Ricardo Martins, pediu mais uma vez para que não tenha prejulgamento. "Só tenho uma coisa a dizer, não julguem para que não sejam julgados. É um absurdo ter que contratar seguranças para que a casa não seja invadida", enfatizou Martins, acrescentando que a situação é “humilhante e desesperadora” para a família.
Rua fechada
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No momento em que o casal chegou à delegacia, populares pediram por justiça. Anna Carolina chorava muito quando deixou a viatura da polícia que levou o casal ao distrito.
Segundo informações do supervisor do Grupo de Operações Especiais (GOE), Luís Antônio Pinheiro, o esquema foi montado para garantir o trabalho da imprensa e a segurança dos moradores da região.
A operação de segurança no 9º DP contou com 11 viaturas do GOE, 16 policiais do GOE e 15 da Polícia Militar (PM), além de voluntários.
O caso
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No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.
O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.
O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas, disseram esperar que "a justiça seja feita".
(*com reportagem de Lectícia Maggi, Luciana Fracchetta e Gregório Russo)
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