14/04 - 11:47, atualizada às 11:03 19/05 - Redação
SÃO PAULO - Saiba as principais informações sobre o que aconteceu desde a morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, no dia 29 de março. A criança morreu após ser jogada do 6° andar de um edifício na zona norte da capital. O crime chocou o País e, até o momento, os principais suspeitos pelo assassinato são o pai Alexandre Alves Nardoni e a madrasta Anna Carolina Trota Peixoto Jatobá.
29 de março
Morte
AE

Isabella Oliveira Nardoni, de 5 anos, morre após cair do 6° andar do difício Residencial London, na Vila Mazzei, zona norte de São Paulo, onde o pai Alexandre Alves Nardoni e a madrasta Anna Carolina Jatobá moravam.
A polícia descarta a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial, Calixto Calil Filho, afirma que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém, já que a tela de proteção do quarto estava cortada.
A criança era filha do consultor jurídico Alexandre Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a sua esposa.
30 de março
Enterro
O corpo de Isabella é enterrado, por volta das 9h, no cemitério Parque dos Pinheiros. Conforme a administração do local, cerca de 200 pessoas acompanharam o enterro.
Versão do pai
Em depoimento, Nardoni afirma que ele, a esposa, os dois filhos do casal, de 11 meses e três anos, e Isabella chegaram da casa dos pais de Anna Carolina, por volta das 23h30, do sábado. Como as crianças dormiam, ele subiu com Isabella e colocou-a na cama. Em seguida, teria descido para buscar a mulher e os outros dois meninos.
O pai conta que, ao retornar ao apartamento, ouviu um barulho, olhou pela janela e viu a menina estendida no solo. Nardoni disse que o local havia sido invadido por um ladrão.
O delegado Calil Filho não se convence com o depoimento em razão da ausência de sinais de arrombamento no apartamento. No entanto, completa que Nardoni e Anna Carolina não são suspeitos. "Eles são averiguados", frisa.
31 de março
Sangue no apartamento
Investigadores da Polícia Civil de São Paulo encontram gotas de sangue no corredor, nos dormitórios e no lençol de um dos quartos do apartamento. Segundo a polícia, a menina caiu da janela do quarto dos irmãos e não do seu próprio quarto onde o pai disse tê-la colocado dormindo.
Sinais de sufocamento
Um laudo preliminar feito pelo Instituto Médico Legal (IML) indica que Isabella foi sufocada antes da queda. Profissionais do IML observaram características típicas de estrangulamento no corpo da menina, como a língua e a extremidade das unhas arroxeadas. O corpo também apresentava ferimentos na testa e na perna direita, ambos com sangramento.
Avô materno defende pai
Jorge Arcanjo Oliveira, avô materno de Isabella, afirma que Alexandre Nardoni sempre tratou a filha muito bem. "Ele era muito amoroso, muito bom pai". O avô disse acreditar na inocência de Nardoni. “Ele pode ter todos os defeitos, mas isso nunca faria", completa.
01 de abril
Vizinhos depõem
Vizinhos do casal dizem à polícia que ouviram gritos de uma menina dizendo “pára, pai”, pouco antes de Isabella cair. O advogado da família Ricardo Martins contesta os depoimentos. “A fala da criança em pedido de socorro pode ser interpretada de diversas maneiras. Quando uma criança está em perigo ela sempre irá buscar pelos pais. É uma frase interpretativa", disse.
Brigas
O delegado responsável pelas investigações informa ainda que moradores do antigo prédio onde o pai e a madrasta da menina moravam disseram que o casal brigava constantemente.
02 de abril
Depoimento da mãe
| AE |
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| Mãe sai rapidamente após prestar depoimento |
Prisão temporária
O juiz Maurício Fossen, do Segundo Tribunal de Justiça de São Paulo, decreta a prisão temporária de Alexandre Nardoni e de Anna Carolina, por suspeitas de envolvimento na morte de Isabella.
Nova perícia
Peritos do Instituto de Criminalística (IC) voltam ao edifício em busca de mais provas para ajudar a esclarecer a morte da garota. Os investigadores utilizam reagentes químicos e uma luz especial - chamado de luminol – para tentar encontrar vestígios de sangue no Ford Ka que o casal usou momentos antes da morte da criança.
A equipe passa mais de duas horas no local, tempo em que fotografa, mede e inspeciona o quarto onde Isabella caiu. Os peritos utilizam ainda um boneco para indicar o exato local em que ela foi encontrada no gramado.
Polícia realiza perícia no edifício; assista ao vídeo
03 de abril
Casal é preso
| AE |
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| Pai e madrasta se entregam à polícia |
Cartas
Em cartas, os dois alegam inocência. Nardoni diz que, na condição de pai de três filhos, pode dizer, que a Isabella é o maior tesouro da sua vida. “Todos estão me julgando sem ao menos me conhecer. Não faria isso com ninguém, muito menos com a minha filha”, afirma.
Já Anna Carolina conta quão bom era o relacionamento entre a menina e os outros dois filhos do casal. "Amo ela como amo aos meus filhos. Tenho minha consciência tranqüila do carinho com que sempre a tratei", acrescenta.
04 de abril
Promotor vê contradições
O promotor Franscico José Taddei Cembranelli afirma que algumas das declarações dadas por Nardoni e Anna Carolina são "fantasiosas". Cembranelli diz que os depoimentos do casal têm muitos trechos difíceis de serem concretizados. "Precisamos apurar tudo, mas existem testemunhas que divergem das informações prestadas por eles".
Para o Ministério Público, existem contradições relacionadas, principalmente, à seqüência dos fatos e ao horário em que Nardoni e Anna Carolina teriam subido ao apartamento.
Sinais de espancamento
Peritos e médicos legistas concluem que Isabella foi espancada. "O corpo apresenta várias escoriações e hematomas próprios de pancadas. Ela foi espancada", atesta um perito que teve acesso aos dados do IML.
Exames
Dados preliminares de um exame toxicológico realizado no casal apontam que no dia da morte de Isabella nenhum dos dois havia consumido bebidas alcoólicas ou qualquer tipo de droga.
Missa de 7° dia
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| Ana Carolina recebe apoio em missa |
A missa de 7° dia da morte de Isabella acontece na Igreja Nossa Senhora da Candelária, na zona Norte de São Paulo, e reúne mais de 800 pessoas. Ana Carolina de Oliveira recebe solidariedade de Massataka e Keiko, pais de Ives Ota, seqüestrado e assassinado por policiais militares em 1997, quando tinha oito anos.
05 de abril
Mãe de Isabella faz aniversário
AE

Ana Carolina passa 1° aniversário sem a filha
Ana Carolina completa 24 anos e recebe uma homenagem em frente à sua casa, na Vila Gustavo, zona norte da capital. Diversas pessoas se reúnem no local e entregam presentes para a mãe e cartazes com fotos das duas e mensagens de apoio.
A mãe declara que consegue forças para enfrentar o difícil momento da alegria que a filha tinha todos os dias. "Ela dizia: 'a única coisa que não gosto é de ver você triste'", afirma.
07 de abril
Habeas-corpus
Os advogados de Nardoni e Anna Carolina entram com pedido de habeas-corpus para ser julgado pelo Tribunal de Justiça.
Sangue
Peritos do Instituto de Criminalística informam que, diferentemente do que foi suspeitado no início, não há sangue no automóvel da família.
Roupas
O advogado Ricardo Martins diz que as roupas encontradas no apartamento de Cristiane Nardoni, irmã de Alexandre, são de prestadores de serviço e não do pai de Isabella. O imóvel dela fica no mesmo prédio em que ocorreu o crime.
08 de abril
Vídeo releva que pai usava a mesma roupa
Imagens do circuito interno de um supermercado de Guarulhos, na Grande São Paulo, mostram Nardoni, Anna Carolina, os dois filhos do casal e a menina Isabella saindo do estabelecimento horas antes da menina ser encontrada morta no jardim. As câmeras do supermercado mostram Alexandre com uma camiseta clara e bermuda, roupas iguais as que usava momentos após a morte.
O advogado Rogério Neres de Sousa defende que o vídeo revela um relacionamento "harmonioso" do casal com Isabella. A câmera flagra o pai de mãos dadas com a filha. Ele se separa dela para se dirigir a um caixa e a menina se junta à madrasta e aos irmãos. Os três saem juntos do local antes de Alexandre deixar o balcão.
Assista ao vídeo da família horas antes do crime
09 de abril
Quebra de sigilo
A polícia pede a quebra de sigilo telefônico da irmã de Nardoni, Cristiane Nardoni. Uma testemunha procura a polícia e alega que estava em uma festa com Critiane quando a ouviu dizendo que o irmão “teria feito uma grande besteira”.
Perto da verdade
A delegada-assistente do 9º Distrito Policial, Renata Pontes, afirma que a polícia concluiu mais da metade do inquérito. "As investigações estão avançadas referente à dinâmica, ferimento, tudo que foi feito lá dentro até o óbito. A polícia está chegando mais próximo da verdade", disse.
Prédio vulnerável
Marco Polo Levorin, que defende o casal, afirma que havia "vulnerabilidade" no prédio no dia da morte de Isabella. "O pai do Alexandre (Antônio Nardoni) chegou ao local minutos depois do fato e viu portões abertos, outros viram abertos os portões tanto da portaria quanto da garagem. A polícia chegou e não teve como fazer uma varredura completa dos apartamentos e vistoriar todos na hora, pois muitos estavam fechados", diz.
10 de abril
Ligações rastreadas
Na análise de quebra de sigilo telefônico do casal foram constadas que as duas primeiras ligações feitas por Nardoni foram para o pai dele e para o pai de Anna Carolina Jatobá. A polícia também concluiu que as três primeiras ligações para o resgate partiram de vizinhos.
Pedreiro assume roupas
O pedreiro Vandeval Melo Gomes afirma que são dele e de um eletricista as roupas encontradas no apartamento da tia de Isabella. Nas roupas não foram encontrados vestígios de sangue.
11 de abril
Casal deixa cadeia
| AE |
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Anna Carolina deixa 89° DP, localizado no Portal do Morumbi, por volta das 15h30. Os dois seguem para a casa do pai de Alexandre.
Em entrevista, o advogado Ricardo Martins diz que "foi uma decisão bastante justa. "Não havia provas e os elementos que justificam a prisão temporária não estavam presentes. Houve uma precipitação, sem dúvida nenhuma, principalmente por parte da polícia", afirma.
Assista abaixo ao momento em que Alexandre deixa a prisão:
12 de abril
Irmã diz que eles estão bem
Cristiane Nardoni, tia de Isabella, diz aos jornalistas que estavam em frente à casa da família, que o casal está bem "na medida do possível". Questionada se irá prestar depoimento sobre a morte da sobrinha, ela disse que ainda não foi informada pela polícia.
13 de abril
Visita aos filhos
| AE |
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Casal sai para visitar os filhos |
Alexandre Nardoni e Anna Carolina deixam a casa de Antônio Nardoni, no bairro Tucuruvi, e seguem para a casa dos pais dela, em Guarulhos, na Grande São Paulo. É a primeira visita dos dois aos filhos desde a saída da prisão.
Simples suspeitas
O desembargador Caio Canguçu de Almeida, 68 anos, responsável pela decisão que deu liberdade ao casal diz que, até o momento, a polícia tem apenas "simples suspeitas" contra o casal. “A polícia está focada na conduta do casal, ao que foi dado conhecer ao Tribunal, não há dados concretos contra os dois”, afirma em sua casa em Campinas, no interior de São Paulo.
14 de abril
Mérito do habeas-corpus
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que deve julgar no próximo dia 22 o mérito do habeas-corpus concedido ao casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella Nardoni.
Roupas do dia do crime
O advogado Ricardo Martins, que defende o casal levou nesta segunda-feira à polícia roupas usadas por elas no dia da morte da menor. Foram levadas uma camiseta verde e outra vermelha, ambas de manga comprida, que pertencem a Anna Carolina, além de uma bata de Isabella, que ela usava nas imagens captadas pelas câmeras de um supermercado onde a família havia feito compras no mesmo dia.
Depoimentos revelados
O "Jornal Nacional" revelou parte do conteúdo do depoimento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. De acordo com a reportagem, em depoimento prestado no dia seguinte à morte de Isabella, Anna Carolina Jatobá disse à polícia que já havia tido desentendimentos com a mãe da menina, Ana Carolina de Oliveira por ciúmes.
Foram revelados também os depoimentos do porteiro e do síndico do prédio onde Isabella caiu.
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