11/04 - 12:50, atualizada às 17:34 11/04 - Redação iG
SÃO PAULO - O desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), argumentou que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, não deram nenhuma prova de que possam comprometer, dificultar ou impedir a apuração das investigações, no despacho em que deferiu o pedido de habeas-corpus do casal.
Em sua decisão, de oito páginas, o magistrado diz que não vê indícios de que Alexandre e Anna Carolina tentaram atrapalhar as investigações. Ele explica que a prisão temporária só pode ser decretada quando preenchidos certos requisitos.
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| Multidão protesta em frente à delegacia |
"No caso presente, os pacientes (Nardoni e Anna Carolina), ao menos até aqui, não deram prova alguma de deliberado propósito de comprometer, dificultar ou impedir a apuração dos fatos", escreve Canguçu de Almeida. "Tanto que nem a autoridade policial, nem o magistrado apontado como coator, indicam fatos que caracterizassem quaisquer daquelas condutas."
Por isso, o desembargador não vê razões para manter a prisão temporária: "A prisão temporária... é medida excepcional, de exceção, tolerada apenas nas hipóteses precisamente fixadas em lei. Por sua condição (...), não pode merecer aplicação senão quando absolutamente indispensável". "Não se justifica a excepcional afronta ao princípio constitucional da liberdade e da presunção de inocência", diz Canguçu de Almeida sobre o caso de Nardoni e Anna Carolina.
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O caso
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No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.
O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.
O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas, disseram esperar que "a justiça seja feita".
(*com reportagem de Gregório Ferreira, Ana Freitas, Silvia Melo, Juliana Simon, Lecticia Maggi e Carol Garcia)
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