07/04 - 14:51 - Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - Em assembléia realizada nesta tarde, os estudantes da Universidade de Brasília (UnB) decidiram manter a ocupação da reitoria para forçar a saída do reitor, Thimoty Mulholland, e do vice-reitor, Edgar Nobuo Mamiya. Ficou para uma assembléia na próxima quarta-feira a decisão sobre início de greve estudantil na universidade.
Os alunos também decidiram ampliar a ocupação para todas as salas da reitoria. Até o momento, eles ocupam duas salas. Deste modo, eles teriam acesso inclusive aos banheiros do local, uma vez que seguranças da universidade impedem o trânsito para fora das salas ocupadas.
A reitoria foi ocupada na tarde da última quinta-feira. Os alunos querem a substituição do comando da instituição devido a indícios de irregularidade na aplicação de recursos públicos na reforma do apartamento do reitor. O repasse teria sido feito por meio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec).
Reivindicações
Outros pontos estão na pauta de reivindicação dos estudantes. Um exemplo é que os bens adquiridos para o apartamento funcional do reitor sejam leiloados e os recursos, investidos na Casa do Estudante. Os universitários defendem também a convocação imediata de eleições diretas e paritárias para todos os cargos eletivos da universidade.
A UnB divulgou nota oficial em que diz estar de acordo com parte das investigações dos alunos, mas o termo de compromisso da instituição não contempla a saída do reitor e do vice, que é ponto de honra dos estudantes.
“Todas as reivindicações materiais não têm tanta importância quanto à saída do reitor. Se o Thimoty estivesse em seu país de origem ele já teria desocupado o cargo”, disse Daniel Gopbi, 21 anos, estudante de relações internacionais e um dos quatro líderes que têm negociado com a reitoria. Segundo o estudante, Thimoty nasceu na Califórnia, Estados Unidos.
Apesar do grande número de participantes, nem todos os alunos da universidade estão de acordo com a invasão. O Centro Acadêmico de Direito já se colocou contra a ocupação. Também há descontentes entre os alunos de Relações Institucionais. “As pessoas vêem isso como baderna. Isso é um meio ilegal. Estamos fazendo a coisa errada”, afirmou o Daniel Rebelo.
Os seguranças da universidade estão de prontidão e declararam que não têm permissão para deixar ninguém subir para o segundo andar da reitoria.
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