06/04 - 15:37, atualizada às 20:36 06/04 - Redação com Agência Estado
SÃO PAULO - Os advogados Ricardo Martins e Rogério Neres confirmaram, neste domingo, que entrarão com um pedido de habeas-corpus na segunda-feira para o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Trotta Jatobá.
Eles pedirão o relaxamento de prisão do pai e da madrasta de Isabella Nardoni, detidos durante a investigação sobra as causas da morte da criança. A criança morreu no sábado, 29, após cair ou ser atirada do sexto andar de um edifício na zona Norte de São Paulo.
Os advogados chegaram à 77ª Delegacia de Polícia de Santa Cecília, onde Alexandre Nardoni está preso, por volta das 12h30 e permaneceram por cerca de 40 minutos no local. Ao saírem, eles afirmaram que já prepararam o habeas-corpus, mas não quiseram falar sobre os argumentos que serão utilizados no pedido, já que o caso está sob sigilo de Justiça.
Depois da visita ao pai de Isabella, os dois foram à 89ª Delegacia de Polícia do Morumbi, onde está Anna Carolina. Os defensores chegaram às 14h40 e saíram às 15h05. Eles afirmaram que ela está bem e conversa com as outras presas normalmente.
Pela primeira vez desde que foi detida, Anna Carolina comeu a refeição servida na DP. Por ser domingo, segundo os funcionários da delegacia, foi servido frango. Os advogados levaram roupa limpa e material de higiene para ela.
O casal está detido desde a última quinta-feira. Eles se entregaram à polícia após terem tido a prisão temporária decretada.
Segundo de Justiça Francisco José Taddei Cembranelli, que investiga o caso, a prisão temporária foi pedida para fornecer uma tranqüilidade maior nas investigações e evitar que eles tenham contato com o local do crime ou com testemunhas. A prisão é válida por 30 dias e pode ser prorrogada por mais 30.
Exames revelam espancamento
| Reprodução |
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| Isabella em foto do Orkut da mãe |
De acordo com a reportagem, os indícios de que ela foi espancada são muitos e, desde o primeiro exame, os médicos constataram uma pequena hemorragia no cérebro da criança. "O corpo aprensenta várias escoriações e hematomas próprios de pancadas. Ela foi espancada", atestou um perito que teve acesso aos dados do IML.
Isabella tinha um ferimento na cabeça que sangrou e uma lesão cervical que pode indicar esganadura. A suspeita maior dos peritos, porém, é que ela tenha sido sufocada.
A equipe aguarda a análise do osso localizado na parte anterior do pescoço para esclarecer a questão - se ele estiver quebrado a tese de estrangulamento volta a ganhar força.
Segundo o IML, havia manchas vermelhas também no coração e as pontas dos dedos estavam arroxeadas. A menina tinha ainda uma fratura em um osso próximo do pulso. Ela foi causada possivelmente por uma torção e ocorreu quando ela ainda estava viva.
Peritos acham sangue em roupas
Conforme o jornal, peritos acharam vestígios de sangue nas roupas encontradas no apartamento vizinho ao do pai de Isabella, Alexandre Nardoni, de 29 anos, e a madrasta, Anna Carolina Trotta Jatobá, de 24 anos. Na unidade, que pertence à irmã de Nardoni, mas etsá desocupada, foram achadas uma camisa e uma camiseta enroladas.
Os investigadores querem saber de quem é o sangue e por qual motivo as roupas estavam no apartamento vizinho. A polícia aguarda os exames de DNA para questionar Nardoni sobre o fato. Foram encontradas também marcas de sangue em diversos cômodos do apartamento do casal.
"É no mínimo estranho o casal não ter esclarecido essas marcas de sangue e a presença da roupa no apartamento vizinho em seu depoimento", disse um perito do Instituto de Criminalística (IC). "Por siso é que temos dito que a versão apresentada por eles é imprecisa", afirmou.
O caso
| AE |
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No sábado, foi encontrada morta no jardim do prédio do pai. A polícia descartou a hipótese de acidente e acredita que a garota tenha sido assassinada. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que há fortes indícios de que ela tenha sido jogada da janela do apartamento por alguém.
O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.
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