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“Não há dúvida de que houve um crime”, diz promotor do caso Isabella

04/04 - 11:48 - Lecticia Maggi, repórter Último Segundo

SÃO PAULO - O promotor de Justiça Francisco José Taddei Cembranelli afirmou, na manhã desta sexta-feira durante entrevista coletiva , que "não há dúvida de que houve um crime" na morte de Isabella Nardoni, de 5 anos, no último sábado. 

"A não ser que surja um fato inédito na investigação, tudo indica que a morte da menina foi um crime. Não há dúvida de que a menina não foi por suas próprias forças até o local, cortou a tela de proteção e se atirou", disse.

A polícia apura quem foi o autor do crime e, apesar de alguns indícios, todas as possibilidades estão sendo consideradas. "O objetivo do Ministério Público não é responsabilizar inocentes, mas sim encontrar a verdade", reforçou.

O promotor afirmou que acredita que a investigação será concluída antes do prazo final de 30 dias, já que todas as perícias foram realizadas e as pessoas que serão ouvidas estão denominadas. Até esta sexta-feira, 15 testemunhas prestaram depoimento, entre vizinhos, moradores do prédio e famíliares da vítima. A previsão é de que até o final da investigação 45 pessoas sejam ouvidas.

Versão "fantasiosa"

Cembrabelli afirmou que, para o Ministério Público, os depoimentos do pai de Isabella, Alexandre Nadroni, de 29 anos, e da madrastra, Anna Carolina Trota Jatobá, de 24 anos, são "fantasiosos" (saiba mais sobre depoimento do pai) e existem contradições importantes entre o que foi dito pelo pai e as afirmações feitas pela madrasta. "Há imprecisões entre os dois com relação a seqüência dos fatos", disse.

Conforme o promotor, os moradores divergem com relação à hora em que eles subiram para o apartamento. "As versões apresentadas pelos dois foram desmentidas por testemunhas, então a única palavra que eu encontro é essa: 'fantasiosa'", afirmou.

Cartas

AE
Na quinta-feira, o pai da menina, o consultor jurídico Alexandre Nardoni, e sua atual mulher, Anna Carolina Jatobá, divulgaram cartas em que alegaram ser inocentes.

"Quando me dei conta que tinha perdido minha Isabella, senti naquele momento que o meu mundo acabou, não sei como caminhar. Todos estão me julgando sem ao menos me conhecer. Não faria isso com ninguém, muito menos com minha filha. Amo a Isabella incondicionalmente e prometi a ela, em frente ao seu caixão, que, enquanto vivo, não sossego enquanto não encontrar esse monstro (assassino da filha)", disse Alexandre, por meio da carta.

Questionado sobre as cartas, o promotor disse que elas foram divulgadas pela mídia, mas não foram inclusas no processo.

Prisão

O casal está detido desde quinta-feira. Eles se entregaram à polícia após terem tido a prisão temporária decretada. Anna Carolina está no 89º Distrito Policial, no Morumbi, zona sul da capital paulista, e Alexandre, no 77º Distrito Policial, em Santa Cecília, centro de São Paulo.

Segundo Cembrabelli, a prisão temporária do casal foi pedida para fornecer uma tranqüilidade maior nas investigações e evitar que eles tenham contato com o local do crime ou com testemunhas. A prisão é válida por 30 dias e pode ser prorrogada por mais 30.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira que eram divorciados. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto, estudante.

No sábado, foi encontrada morta no jardim do prédio do pai. A polícia descartou a hipótese de acidente e acredita que a garota tenha sido assassinada. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que há fortes indícios de que ela tenha sido jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

A polícia afirmou que vai aguardar os laudos dos exames periciais, que ficarão prontos em cerca de 30 dias, para esclarecer as circunstâncias da morte. O delegado vinha afirmando que Nardoni e Anna Carolina não eram suspeitos.

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