SÃO PAULO (Reuters) - Na próxima semana deve ser criada a CPI exclusiva do Senado para investigar despesas com cartões corporativos do governo. Mesmo com maioria de aliados, o ambiente do Senado é mais propenso à oposição. Com o esvaziamento da comissão mista (Câmara e Senado), a oposição conseguiu que o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), se comprometesse a ler o requerimento de criação da nova CPI na terça-feira. O requerimento aguarda leitura desde 19 de fevereiro, segundo informou o Senado.
Na comissão mista, os governistas derrubaram no voto, nesta semana, os requerimentos para convocar autoridades que pudessem prestar esclarecimentos sobre as despesas e sobre a confecção de um suposto dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama, Ruth Cardoso vazado à imprensa.
A presidente da CPI mista, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), chegou a decretar o fim da comissão para a próxima quinta-feira, antes dos 90 dias fixados para a comissão, mas depois disse que ainda irá avaliar.
Sem conseguir convocar Dilma Rousseff (Casa Civil) na CPI mista, a oposição conseguiu aprovar a convocação da ministra na Comissão de Infra-Estrutura do Senado para que ela preste esclarecimentos sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e sobre a situação da hidrelétrica de Belo Monte (PA).
Os senadores poderão, no entanto, questioná-la sobre o suposto dossiê. Dilma já admitiu que a Casa Civil fez um banco de dados que inclui o governo atual e o anterior, mas nega a autoria de um dossiê. Ela tem 30 dias para marcar a data.
A posição do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) também não ficou definida. Ele admite ter tido acesso aos dados do chamado dossiê, mas nega ter vazado o conteúdo à imprensa. Em pelo menos uma entrevista, no entanto, ele afirmou que foi uma das pessoas que repassaram os dados.
Veja a seguir os principais fatos da semana.
SEGUNDA-FEIRA
-- O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, deve estar em São Paulo para definir a candidatura à reeleição do prefeito Gilberto Kassab, que disputa com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) a preferência dos tucanos.
TERÇA-FEIRA
-- O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), deve ler o requerimento de instalação da CPI dos cartões corporativos exclusiva do Senado.
-- Garibaldi também deve receber em sua residência os líderes partidários do Senado para definir uma pauta de trabalho para a Casa.
-- O relatório que altera o trâmite das medidas provisórias deve ser votado na terça-feira. O texto do deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) já foi apresentado e um pedido de vista adiou a votação. A oposição ainda quer discutir a utilização de MPs para aumentar os recursos de ministérios e os prazos da medidas.
QUINTA-FEIRA
-- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita Roterdã, Haia e Amsterdã, na Holanda, entre quinta e sexta-feira. No sábado, 12, estará em Praga, na República Tcheca.
NA SEMANA
-- Devem depor na CPI mista dos cartões os generais Jorge Armando Félix e Alberto Cardoso, chefes do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência nos governo Lula e FHC, respectivamente. Estão convocados também os ministros Orlando Silva (Esporte), Altemir Gregolin (Pesca), e a ex-ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial).
-- Definição do presidente e relator da comissão especial da Câmara dos Deputados que vai analisar a reforma tributária.
A constitucionalidade já foi aprovada na quarta-feira. O PMDB quer ocupar a presidência com Edinho Bez (SC). A relatoria está indefinida entre Sandro Mabel (PR-GO) e Antonio Palocci (PT).
(Reportagem de Carmen Munari)